domingo, dezembro 04, 2005

Arquétipo

Pela manhã, ele acorda por volta das sete. Abre os olhos, mas não se levanta. Sempre fica mais cinco minutos, sabendo que a hora de levantar já chegou. É o melhor momento do seu dia. Uma mescla de prazer. Não é prazer o que sente, podemos dizer apenas que é uma mescla disto com outras coisas. Conforto advindo da proteção por ainda estar debaixo do lençol, ou cobertor, e imaginar que lá fora, de casa, ainda está escuro, mas que o sol já vai sair aquecendo tudo, tornando úmido o que antes estava úmido e frio. Sim, ele adora pensar assim. Mesmo que seja apenas uma pitada escorregadia, como todos os seus pensamentos, adora pensar que o que está úmido e frio pode ficar quente, pelando, normal até, mas frio não, porque “frio está lá fora, agora, não aqui dentro, debaixo do meu cobertor... huuumm”. Desconforto também, em saber que terá que levantar em 5 minutos para ir trabalhar em seu “empreguinho de merda, mas que às vezes eu gosto de fazer”. E, principalmente, é, deve ser principalmente, se alguém pode dizer ao certo, garanto que não é ele, um gostinho salgado de transgressão, pois os cinco minutos sempre se transformam em dez minutos e estes dez tardam apenas cinco a virar quinze. Sempre assim, sempre é assim pela manhã.

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