Queria pedir que alguém a tirasse dali. Pedia em pensamento e nada dizia.
Estava cansada dos possíveis reclames - você já não é mais uma menina.
Mal sabiam, pensava. Mal sabiam que aquela mulher não tinha passado.
Começou a existir assim, sem direito a infância, choro de menina.
Corria pela casa a cuidar dos outros. E quem a cuidaria?
De noite, estende-se sobre a depressão solitária do colchão e chora baixinho com o rosto escondido sob o travesseiro.
Quem pudesse ver saberia que são lágrimas de menina.
segunda-feira, julho 26, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
Janela
Viro a página do livro. A passagem me faz lembrar Mariana.
Entristeço.
Você jamais saberá que minha ausência é cuidado e carinho.
Uma lágrima cansada escapa e pousa pesadamente
sobre a palavra saudade.
Antônio me chama da sala: vem ver o mar...
Entristeço.
Você jamais saberá que minha ausência é cuidado e carinho.
Uma lágrima cansada escapa e pousa pesadamente
sobre a palavra saudade.
Antônio me chama da sala: vem ver o mar...
domingo, abril 18, 2010
Roda Gigante
Bate a porta agora.
Que lá fora
tem um vento
sudoeste.
É chuva. Vai molhar o tapete colorido.
Eu quero mesmo é dormir nesse domingo.
Que lá fora
tem um vento
sudoeste.
É chuva. Vai molhar o tapete colorido.
Eu quero mesmo é dormir nesse domingo.
domingo, janeiro 24, 2010
Hanami - Cerejeiras em Flor
Trudi e Rudi são um casal de meia idade. Os filhos estão crescidos e têm vida própria em Berlim. Eles levam uma vida onde a rotina se impõe sem grandes questionamentos - ele trabalha e ela cuida da casa e dele.Até que Trudi descobre que o marido tem uma doença grave e pode não ter mais muito tempo.
Isso desencadeia uma série de questionamentos em Trudi, sobre o modo como eles têm vivido e sobre tantas coisas que ela mesma quis e deixou de lado por conta da família.
O filme é de uma sensibilidade ímpar e ilustra bem os silêncios a que nos impomos tantas vezes diante daqueles que deveriam ser nossos íntimos - a família.
Lindo mesmo. Recomendo.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Despedida
Já no aeroporto, não conseguiu segurar uma lágrima. Saiu rolando, pesada, densa, rosto abaixo. Francisco olhou para ela: queria tanto que você me pedisse pra ficar... Mas agora é tarde, pensou. Era tarde: Francisco decolava madrugada adentro. Por dentro, uma sensação tipo soco no estômago. Fome. Ainda conseguia sentir fome. Parou numa lanchonete qualquer do aeroporto. Ao lado, mesinhas, tendas e uns índios fake. Totalmente fake, pensou.
Entrou num táxi. Precisava chegar em casa, tomar um banho, talvez de rosas. Descarregar aquela dor... de uma vez por todas?
No rádio, Roberta Sá declarava: Minha alegria voltou | Brilhando no alvorecer | Quando deixei de amar | E esperar por você...
Será que algum dia deixaria de esperar?
Entrou num táxi. Precisava chegar em casa, tomar um banho, talvez de rosas. Descarregar aquela dor... de uma vez por todas?
No rádio, Roberta Sá declarava: Minha alegria voltou | Brilhando no alvorecer | Quando deixei de amar | E esperar por você...
Será que algum dia deixaria de esperar?
domingo, janeiro 17, 2010
terça-feira, janeiro 12, 2010
Filmes de 2009
Queime depois de LerDivertidíssimo. Brad Pitt está hilário na pele de um professor de academia que só consegue pensar em sua própria aparência. Todos os atores dão um show. O filme tem um tipo de humor bem particular: além de mim, apenas umas 5 ou 6 pessoas gargalhavam no cinema. As outras pareciam não entender qual era a graça.
Sinédoque Nova YorkPhilip Seymour Hoffman está incrível nesse filme. A estória tem um tom obscuro, sombrio mesmo. E, aos poucos, vamos nos envolvendo junto com o protagonista na intrincada rede que ele mesmo armou em busca da sua arte. Interessante.

À Deriva
Quando soube que o mesmo diretor de "O Cheiro do Ralo" lançaria esse filme, fiquei atenta. Mais ainda quando soube que Vincent Cassel faria o papel principal. Adoro esse ator desde que vi "Senhores do Crime". O filme é muito legal, e me fez, talvez pela primeira vez, me colocar no lugar dos pais, nas situações de conflito que o filme relata.

Deixa Ela Entrar
Aqui é importante dizer que não curto filmes de vampiro. Geralmente, acho tudo uma grande bobeira. Mas esse filme não é sobre vampiros. Eu diria que é sobre relações, pessoas... E eu adoro estórias de pessoas.

Aconteceu em Woodstock
Divertido. Retrata muito bem como os acontecimentos ao nosso redor podem nos fazer mudar.

Budapeste
Aqui, destaque para Leonardo Medeiros - embora eu seja suspeita para falar dele. A cena do telefone, quando ele liga para a mulher e deixa recado na secretária eletrônica, é ótima. Bem como eu imaginei quando li o livro. Devo confessar que os romances do Chico Buarque não me agradam tanto e a presença da Giovana Antonelli dá um medo de que o filme enverede por aquele clima "Globo Filmes", sabe como é?
Se Beber, Não CasePreciso dizer que é muito difícil eu gostar de uma comédia. Mas gostei bastante desse filme. Vale a pena.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Chegada
A chuva apertava quando passei pelo portão.
Como de costume, Gabriel me abraçou longamente, sem se importar com os pingos grossos da chuva, ou as lágrimas que escorriam em meu rosto molhando agora seus cabelos...
Como de costume, Gabriel me abraçou longamente, sem se importar com os pingos grossos da chuva, ou as lágrimas que escorriam em meu rosto molhando agora seus cabelos...
sexta-feira, julho 31, 2009
Forte
Quando nos vimos pela última vez, ele me disse: você é forte.
Foi a pior coisa que poderia ter dito...
Foi a pior coisa que poderia ter dito...
segunda-feira, junho 08, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
Silêncio
1.
Te vejo a apenas alguns metros de distância. Proximidade mentirosa alimentando esse silêncio grosso e intransponível como um muro de concreto. Me divirto curiosamente observando as pessoas. O que você diria sobre a mulher histérica ali ao lado? O que diria sobre essas pessoas encenando todos os dias esse teatro estéril repetindo a mesma sopa de letrinhas e palavras que nada dizem?
Mas você não diz nada.
2.
Você passa por mim com o rosto crispado. Estou próxima a janela como quem espera. Em silêncio, você se dirige novamente à sua mesa onde escreve um inventário de palavras desconexas. Os cômodos jazem silenciosos pela casa. São onze horas da manhã e, até que o dia termine, você ainda há de passar três ou quatro vezes por aqui.
Mas você nada dirá.
3.
Ele entra no quarto e a vê, nua, deitada no chão. De lado, o braço formando um ângulo e sustentando o rosto com a mão. O resto de sol do fim da tarde penetra furtivamente pela rede e vai deitar sobre ela a luminosidade apagada de um dia que se põe. Ela tem o rosto marcado por 2 lágrimas. Ele não as vê mas compreende sua tristeza pela postura do corpo, pelo longo silêncio, por aquela cor avermelhada que é como a dor do sol quebrando o azul.
Quer confortá-la.
Mas ele não diz nada.
Te vejo a apenas alguns metros de distância. Proximidade mentirosa alimentando esse silêncio grosso e intransponível como um muro de concreto. Me divirto curiosamente observando as pessoas. O que você diria sobre a mulher histérica ali ao lado? O que diria sobre essas pessoas encenando todos os dias esse teatro estéril repetindo a mesma sopa de letrinhas e palavras que nada dizem?
Mas você não diz nada.
2.
Você passa por mim com o rosto crispado. Estou próxima a janela como quem espera. Em silêncio, você se dirige novamente à sua mesa onde escreve um inventário de palavras desconexas. Os cômodos jazem silenciosos pela casa. São onze horas da manhã e, até que o dia termine, você ainda há de passar três ou quatro vezes por aqui.
Mas você nada dirá.
3.
Ele entra no quarto e a vê, nua, deitada no chão. De lado, o braço formando um ângulo e sustentando o rosto com a mão. O resto de sol do fim da tarde penetra furtivamente pela rede e vai deitar sobre ela a luminosidade apagada de um dia que se põe. Ela tem o rosto marcado por 2 lágrimas. Ele não as vê mas compreende sua tristeza pela postura do corpo, pelo longo silêncio, por aquela cor avermelhada que é como a dor do sol quebrando o azul.
Quer confortá-la.
Mas ele não diz nada.
quinta-feira, maio 07, 2009
terça-feira, abril 28, 2009
Depois do Fim
Espalha os cacos pela casa enquanto caminha.
Não importa.
Já não importa.
Esperou pacientemente
que o dia terminasse.
E então compreendeu
aquilo que já adivinhara:
que aquele sim fora um não
que o fim já havia passado
e agora era um tempo além
daquilo que não se tem.
Não importa.
Já não importa.
Esperou pacientemente
que o dia terminasse.
E então compreendeu
aquilo que já adivinhara:
que aquele sim fora um não
que o fim já havia passado
e agora era um tempo além
daquilo que não se tem.
quinta-feira, abril 23, 2009
Morte
Restou a desordem inesperada das horas graves: armários escancarados, gavetas remexidas, documentos espalhados.
Alguém procura a senha do banco, ligações pro gerente conhecido. Gravidade pela casa. Música não pode, diz minha mãe.
Não quis ir ao enterro. Não queria essa lembrança pra desenterrar mais tarde. Mas, de certa forma, foi um erro: continei achando que meu avô ainda chegaria do bilhar. E continuei levantando de sua poltrona preferida toda vez que o portão da rua rangia.
Alguém procura a senha do banco, ligações pro gerente conhecido. Gravidade pela casa. Música não pode, diz minha mãe.
Não quis ir ao enterro. Não queria essa lembrança pra desenterrar mais tarde. Mas, de certa forma, foi um erro: continei achando que meu avô ainda chegaria do bilhar. E continuei levantando de sua poltrona preferida toda vez que o portão da rua rangia.
sexta-feira, abril 17, 2009
Sábado
Você já não sabe nada de mim.
Não sabe que ele me beijou numa tarde ensolarada.
Deitados no chão
nós nos cegávamos de céu.
Não sabe que ele me beijou numa tarde ensolarada.
Deitados no chão
nós nos cegávamos de céu.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Viagem
III
Entro no ônibus, atrás de uma menina de vestido florido. Acha graça pensando há quanto tempo não vejo alguém de florido. Parece que florir não está na moda. Eu gosto. Enquanto estico as notas para o trocador, checo se há assentos vazios: ao lado de um homem que parece ler (mas esse descarto logo porque ele está na janela) e... ah, sim... ao lado de um menino de boné que está no corredor. Sento ao seu lado e abro a janela que estava completamente fechada. Está frio, venho de camiseta mas preciso sentir o vento no meu rosto. Vou olhando a orla, as árvores se agitando, aquela escuridão mais a frente que de quando em quando brilha e eu sei que é o mar... Divirto-me com um trevo próximo ao aeroporto, aguardo sem pressa o monte de gente que salta e embarca na Praça XV. O mar ali ainda como se quisesse acompanhar uma parte da minha viagem. Passo pelo CCBB iluminado, tudo parece sorrir porque eu me sinto feliz, simplesmente porque resolvi estampar um sorriso no meu rosto. Enfrentamos um pequeno congestionamento na Presidente Vargas, seguimos em direção à Praça da Bandeira e lá chegando viramos em direção a Tijuca. Uma senhora no banco de trás reclama da demora do sinal. Eu gosto: um homem faz malabarismos com bastões em chamas. Usa uma roupa colorida que lembra um palhaço estilizado. Me recrimino por ter, de novo, deixado a câmera em casa. O sinal abre e prosseguimos... Antes de virar no Maracanã, eu desço me despedindo mentalmente dos meus companheiros de viagem. Dou conta que o homem que lia e a menina do vestido já não estão. Me divirto a pensar que podem ter descido juntos dispostos a continuar uma conversa casual iniciada no ônibus...
Entro no ônibus, atrás de uma menina de vestido florido. Acha graça pensando há quanto tempo não vejo alguém de florido. Parece que florir não está na moda. Eu gosto. Enquanto estico as notas para o trocador, checo se há assentos vazios: ao lado de um homem que parece ler (mas esse descarto logo porque ele está na janela) e... ah, sim... ao lado de um menino de boné que está no corredor. Sento ao seu lado e abro a janela que estava completamente fechada. Está frio, venho de camiseta mas preciso sentir o vento no meu rosto. Vou olhando a orla, as árvores se agitando, aquela escuridão mais a frente que de quando em quando brilha e eu sei que é o mar... Divirto-me com um trevo próximo ao aeroporto, aguardo sem pressa o monte de gente que salta e embarca na Praça XV. O mar ali ainda como se quisesse acompanhar uma parte da minha viagem. Passo pelo CCBB iluminado, tudo parece sorrir porque eu me sinto feliz, simplesmente porque resolvi estampar um sorriso no meu rosto. Enfrentamos um pequeno congestionamento na Presidente Vargas, seguimos em direção à Praça da Bandeira e lá chegando viramos em direção a Tijuca. Uma senhora no banco de trás reclama da demora do sinal. Eu gosto: um homem faz malabarismos com bastões em chamas. Usa uma roupa colorida que lembra um palhaço estilizado. Me recrimino por ter, de novo, deixado a câmera em casa. O sinal abre e prosseguimos... Antes de virar no Maracanã, eu desço me despedindo mentalmente dos meus companheiros de viagem. Dou conta que o homem que lia e a menina do vestido já não estão. Me divirto a pensar que podem ter descido juntos dispostos a continuar uma conversa casual iniciada no ônibus...
terça-feira, janeiro 06, 2009
Resistência
Quanto à reforma, confesso que fico triste. Não sei bem porquê. Acho que me dá uma nostalgia de pensar que, de agora em diante, as crianças hão de ler o que escrevo como eu lia as palavras de meus avós: uns circunflexos desnecessários obsoletando as palavras...
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Balanço (Multimídia) de Final de Ano (2008)
Esse ano eu li muito pouco. Então vou colocar aqui todos os livros que eu (lembro que) li, independentemente de ter gostado ou não...
Acho que esse ano foi mais dos filmes do que de qualquer outra coisa.
Filmes:
- A Culpa é do Fidel
- Senhores do Crime
- Juno
- XXY
- Irina Palm
- Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
- Do Outro Lado
- Onde os Fracos Não Têm Vez
- Coisas que Perdemos pelo Caminho
- Ensinando a Viver
- Meu Irmão É Filho Único
- Rebobine, por favor
- Me and You and Everyone We Know
Livros:
- A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)
- Ninguém Escreve ao Coronel (Gabriel Garcia Marquez)
- Do Amor e Outros Demônios (Gabriel Garcia Marquez)
- Tudo que Eu Queria te Dizer (Martha Medeiros)
- Férias de Mim Mesmo (Santiago Nazarian)
- A Revolução dos Bichos (George Orwell)
- O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)
- A Viagem do Elefante (José Saramago)
- A Metamorfose (Franz Kafka)
Música:
- Teatro Mágico
- Madeleine Peyroux
- Carla Bruni
- Marcelo Camelo
Shows:
- Nação Zumbi
- Teatro Mágico
- Marcelo Camelo
Acho que esse ano foi mais dos filmes do que de qualquer outra coisa.
Filmes:
- A Culpa é do Fidel
- Senhores do Crime
- Juno
- XXY
- Irina Palm
- Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
- Do Outro Lado
- Onde os Fracos Não Têm Vez
- Coisas que Perdemos pelo Caminho
- Ensinando a Viver
- Meu Irmão É Filho Único
- Rebobine, por favor
- Me and You and Everyone We Know
Livros:
- A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)
- Ninguém Escreve ao Coronel (Gabriel Garcia Marquez)
- Do Amor e Outros Demônios (Gabriel Garcia Marquez)
- Tudo que Eu Queria te Dizer (Martha Medeiros)
- Férias de Mim Mesmo (Santiago Nazarian)
- A Revolução dos Bichos (George Orwell)
- O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)
- A Viagem do Elefante (José Saramago)
- A Metamorfose (Franz Kafka)
Música:
- Teatro Mágico
- Madeleine Peyroux
- Carla Bruni
- Marcelo Camelo
Shows:
- Nação Zumbi
- Teatro Mágico
- Marcelo Camelo
terça-feira, novembro 25, 2008
eterno
tudo retorna
a velha dor doendo igual
os mesmos cacos
as mesmas feridas.
retornam aqueles
que um dia foram queridos.
hoje não.
hoje (me) encontram aqui
outra pessoa.
uma qualquer.
sem passado.
e sem dores.
a velha dor doendo igual
os mesmos cacos
as mesmas feridas.
retornam aqueles
que um dia foram queridos.
hoje não.
hoje (me) encontram aqui
outra pessoa.
uma qualquer.
sem passado.
e sem dores.
segunda-feira, outubro 27, 2008
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