sexta-feira, dezembro 30, 2005

Belo Horizonte é logo ali...

2005 foi um ano de aprender que nem tudo são planos. De aprender que, às vezes, temos que ser loucos e fazer as coisas em cima da hora, sem o menor planejamento. E que essa loucura pode dar certo demais.
Foi também um ano para concretizar novas amizades. Conheci pessoas incríveis e estreitei os laços com outras.
Foi um ano de mudar também. Um ano de coragem para largar uma mesmice estável e correr atrás dos velhos sonhos. Sim, eu ainda sonho. E sim: alguns sonhos ainda são os mesmos.
E o que esperar para 2006? Eu ainda não sei. Espero que ele seja tão surpreendente quanto 2005, porque eu quero os meus dias mais assim: apenas um azul colorindo a vida e uma alegria simples de viver.

***

Hoje à noite pego um ônibus para amanhacer em BH, vendo o sol nascer na estrada. Tudo isso para passar a festa de fim de ano lá com um amiguinho querido e o maridão. E voltar voando no domingo, pro Rio para ver como foi que o ano chegou por aqui.
Belzonte, aí vamos nós!

sábado, dezembro 24, 2005

...

email aberto...
café esfriando sobre a mesa...
alguns minutos já passaram...
quatro linhas na tela...
o que dizer?... o que dizer?!...
quando se tem tanto pra falar...
e tão fundo que não se acha o caminho da boca...
ô coisas que não conseguimos dizer com palavras...
o café frio já bebi...
e ainda não disse nada...
bem, se é assim, pode ser que não seja pra eu dizer...
e se não é pra eu dizer, talvez seja pra você simplesmente ver...
não sei se já te falei, sobre as folhas de papel brancas...
sobre elas conterem, de uma vez só, tudo que pode ser escrito...
a gente que vai lá e descobre algumas dessas coisas...
neste caso, em que não posso dizer, acho que o melhor é te mostrar...
e deixar você ler o que é seu na minha alma....



quarta-feira, dezembro 21, 2005

Balanço (Multimídia) de Final de Ano

Resolvi listar nesse final de ano, não exatamente tudo que me aconteceu - ou as coisas mais relevantes - e sim, os livros que li, os filmes que assisti, as músicas que ouvi... Enfim, estas e outras coisas que através das mídias me marcaram...

Livros:
O Evangelho Segundo Jesus Cristo (José Saramago)
Triângulo das Águas (Caio Fernando Abreu)
Corpo Presente (João Paulo Cuenca)
A Casa dos Espíritos (Isabel Allende)
A Filha da Fortuna (Isabel Allende)
Retrato em Sépia (Isabel Allende)
As Intermitências da Morte (José Saramago)

Filmes:
Mar Adentro
Minha Vida sem Mim
A Viagem de Chihiro
Inimigo Meu
O Castelo Animado
O Coronel e o Lobisomem
Dia de Cão
Adeus Lenin

Músicas:
Ponta de Areia (Milton Nascimento)
A Flor (Los Hermanos)
Santa Chuva (Los Hermanos)

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Velhinha

Ela acorda bem cedo. Às cinco. Sozinha em sua cama. E, apesar de anos assim, nunca conseguiu aposentar o despertador. O de hoje em dia é digital. Os números vermelhos quadrados sempre tiveram um efeito sobre ela. Mas, depois de tanto tempo, isso nao vem mais ao caso. Ela senta na cama. Calça as suas sandálias. E, sai andando, arrastando o "rabo" do chinelo. Caminha no escuro. A lâmpada da cozinha, a única que acende.

A primeira coisa. Fazer o café. O café de um novo dia, depois de algumas vidas, confunde-se com o próprio dia. E, pode-se até dizer que logo bem antes do momento de acordar, ela está "acordadinha", meio dormindo, ansiosa para fazer um novo dia começar. Ainda aquece a água. Resolveu, levou tempo para isto, usar filtro de papel e um escorredor de plástico. Mas, nunca quis usar a cafeteira elétrica. Claro! Que alegria tem, ao invés de fazer, olhar um novo dia ser feito? Assim, passivamente, como tudo que é automático. Tanto para ela quanto para o dia. É transformar
sua aurora em tautologia. Enquanto a água esquenta, ela observa. Gosta de sentir o calor do vapor no rosto. Até em dias quentes. É bom.

Depois. Pega a vasília de pó de café, vermelha e quadrilátera, cantos arredondados, como os números do despertador. A colher já fica lá dentro. É só abrir. Colocar três colherinhas de sopa no filtro de papel, que ela só arruma depois que abre o pote e sente o cheirinho do pó. Aí sim, hora de pegar a leiteira pela asa recoberta de plástico duro, já meio derretido. E, lentamente, derrama um fluxo bem quentinho no escorredor, enchendo-o. As gotinhas pretinhas vão caindo na jarra de vidro. Não usa a cafeteira, mas a jarra ela achou bem bonitinha. As gotinhas viram um filete, contínuo, fazendo um sonzinho, baixo, mas grossinho. A fumaça do café espalha-se pela cozinha. Sozinha. Ali. Ela respira. Devagar. Nesta idade, tudo fica devagar. Os olhos, pra baixo. Olhos e mãos sobre o tampo do móvel. Olhos de quem já cumpriu a sua tarefa, sua parte no raiar do dia.

Agora. Esperar a hora de dormir. Quem sabe até lá, ficar um pouquinho no portão. Vendo as pessoas passarem. Os carros e os ônibus passarem. Alguns dirão bom dia. E ela vai sorrir. Agradecida pelo reconhecimento...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Uma Tarde de Sábado

Cecília espeta seus olhos em mim enquanto fala entusiasmada. Algo nela me faz lembrar de mim há tempos atrás. Não sua beleza de quase menina mas a certeza e a emoção de suas palavras. Marcelo se cala por trás da fumaça adocicada do narguile. Sinto muito sono e peço que me faça um café. Ele me traz uma caneca bem quente e sorvemos o café entre risos felizes. Está sol lá fora mas não faz calor. Recebo seu café como quem aceita companhia durante uma caminhada. Porque tenho me sentido só esses dias lutando contra as jornadas solitárias pelas areias de uma praia branca em meus sonhos.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Bene Venuta

Vejo um avião no reflexo das janelas do edifício
e sei que tu vens chegando
depois do que foi uma longa ausência para mim.
E trago-te nas mãos
meu coração.
Deixa tuas malas no aeroporto
e retoma tudo aquilo que deixaste:
aquela carta por fazer,
alguns móveis empoeirados
e todos estes que aqui estão à tua espera.

Saudade

Saudade é aquilo que a gente tem quando não tem. Alguém ou algo...
Ou algum tempo.
Saudade é aquilo que se teve e já não se tem, ou um desejo de ter o que nunca foi.
A saudade é ausência.
Mas também é presença daquilo que se quer.
Saudade é aquela folha seca que cai e a gente observa.
É aquela criança que corre e a gente esquece que já não somos.
É tudo aquilo de feliz - e até de triste - que já se perdeu.
É uma senhora severa à espera. De testa franzida e olhar penetrante.
É a sombra que nos mira sem se revelar.
A saudade é a imagem, mais real do que fora a própria realidade - num tempo que já se perdeu.
É a lembrança, nítida e forte, de tudo aquilo que foi, ou se imaginou que foi.
É o lugar que era grande e já não é mais, como se vendo-o de novo, reduzido ao seu quinhão de realidade, já quase não fosse.
Aquela lágrima que nem soube.
E nem se sabe.
Porquê chorou...

domingo, dezembro 04, 2005

Arquétipo

Pela manhã, ele acorda por volta das sete. Abre os olhos, mas não se levanta. Sempre fica mais cinco minutos, sabendo que a hora de levantar já chegou. É o melhor momento do seu dia. Uma mescla de prazer. Não é prazer o que sente, podemos dizer apenas que é uma mescla disto com outras coisas. Conforto advindo da proteção por ainda estar debaixo do lençol, ou cobertor, e imaginar que lá fora, de casa, ainda está escuro, mas que o sol já vai sair aquecendo tudo, tornando úmido o que antes estava úmido e frio. Sim, ele adora pensar assim. Mesmo que seja apenas uma pitada escorregadia, como todos os seus pensamentos, adora pensar que o que está úmido e frio pode ficar quente, pelando, normal até, mas frio não, porque “frio está lá fora, agora, não aqui dentro, debaixo do meu cobertor... huuumm”. Desconforto também, em saber que terá que levantar em 5 minutos para ir trabalhar em seu “empreguinho de merda, mas que às vezes eu gosto de fazer”. E, principalmente, é, deve ser principalmente, se alguém pode dizer ao certo, garanto que não é ele, um gostinho salgado de transgressão, pois os cinco minutos sempre se transformam em dez minutos e estes dez tardam apenas cinco a virar quinze. Sempre assim, sempre é assim pela manhã.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Naquilo em que não estás - te encontrarei?

Eu te procuro exatamente naquilo em que não estás.
E te encontro num gesto breve, numa pequena palavra.
Porque tens contigo este brilho no olhar
e esse jeito de olhar
que me vê
de onde eu estiver.
E o que estiver em mim.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Para um Amigo (Oculto?)

Queria saber te dizer algo
como você sabe me dizer...
Mas você, às vezes, é um enigma
um segredo tão bem guardado
que eu não posso entender...
Posso apenas aceitar...