eu quero um lugar de chegar.
onde caibam não apenas
sorrisos
mas também lágrimas.
quero um lugar que comporte medos
e não só coragem.
um lugar onde seja permitido
ser fraco.
(nenhuma obrigação de ser forte)
eu quero um lugar que comporte silêncios
(muito mais que palavras vazias).
quero um lugar de sossego
nostalgia
delicadeza.
quero um lugar de presença
oferta
procura.
chega de partir.
quero um lugar de chegadas.
sábado, novembro 13, 2010
quinta-feira, outubro 21, 2010
não olha agora
não olha agora
mas eles vêm vindo.
eu posso sentir na terra
o tremor de suas patas.
posso ver a nuvem de poeira que aparece
atrás daquele monte.
não olha agora
mas eles vêm vindo.
mas eles vêm vindo.
eu posso sentir na terra
o tremor de suas patas.
posso ver a nuvem de poeira que aparece
atrás daquele monte.
não olha agora
mas eles vêm vindo.
segunda-feira, agosto 16, 2010
cinema
quem é esse cara
que frequenta os mesmos lugares que eu?
desenha em cadernos
anota frases em revistas...
quem é esse cara
que me olha
como se fôssemos
(re)conhecidos?
dois estranhos
estranhos
num café de cinema.
que frequenta os mesmos lugares que eu?
desenha em cadernos
anota frases em revistas...
quem é esse cara
que me olha
como se fôssemos
(re)conhecidos?
dois estranhos
estranhos
num café de cinema.
Roteiro
É a mim que espero. Forte.
É a mim que vejo no espelho: passado e futuro. São minhas estas cicatrizes,
o caminho da lágrima no rosto, o peito ofegante.
A marca de barro dentro de casa, o sapato sujo.
(Fui eu que percorri esses caminhos.)
Cada átomo do que sou...
sem remorsos
fui eu que construí.
Agora sigo...
É a mim que vejo no espelho: passado e futuro. São minhas estas cicatrizes,
o caminho da lágrima no rosto, o peito ofegante.
A marca de barro dentro de casa, o sapato sujo.
(Fui eu que percorri esses caminhos.)
Cada átomo do que sou...
sem remorsos
fui eu que construí.
Agora sigo...
segunda-feira, julho 26, 2010
Passado
Queria pedir que alguém a tirasse dali. Pedia em pensamento e nada dizia.
Estava cansada dos possíveis reclames - você já não é mais uma menina.
Mal sabiam, pensava. Mal sabiam que aquela mulher não tinha passado.
Começou a existir assim, sem direito a infância, choro de menina.
Corria pela casa a cuidar dos outros. E quem a cuidaria?
De noite, estende-se sobre a depressão solitária do colchão e chora baixinho com o rosto escondido sob o travesseiro.
Quem pudesse ver saberia que são lágrimas de menina.
Estava cansada dos possíveis reclames - você já não é mais uma menina.
Mal sabiam, pensava. Mal sabiam que aquela mulher não tinha passado.
Começou a existir assim, sem direito a infância, choro de menina.
Corria pela casa a cuidar dos outros. E quem a cuidaria?
De noite, estende-se sobre a depressão solitária do colchão e chora baixinho com o rosto escondido sob o travesseiro.
Quem pudesse ver saberia que são lágrimas de menina.
quarta-feira, junho 09, 2010
Janela
Viro a página do livro. A passagem me faz lembrar Mariana.
Entristeço.
Você jamais saberá que minha ausência é cuidado e carinho.
Uma lágrima cansada escapa e pousa pesadamente
sobre a palavra saudade.
Antônio me chama da sala: vem ver o mar...
Entristeço.
Você jamais saberá que minha ausência é cuidado e carinho.
Uma lágrima cansada escapa e pousa pesadamente
sobre a palavra saudade.
Antônio me chama da sala: vem ver o mar...
domingo, abril 18, 2010
Roda Gigante
Bate a porta agora.
Que lá fora
tem um vento
sudoeste.
É chuva. Vai molhar o tapete colorido.
Eu quero mesmo é dormir nesse domingo.
Que lá fora
tem um vento
sudoeste.
É chuva. Vai molhar o tapete colorido.
Eu quero mesmo é dormir nesse domingo.
domingo, janeiro 24, 2010
Hanami - Cerejeiras em Flor
Trudi e Rudi são um casal de meia idade. Os filhos estão crescidos e têm vida própria em Berlim. Eles levam uma vida onde a rotina se impõe sem grandes questionamentos - ele trabalha e ela cuida da casa e dele.Até que Trudi descobre que o marido tem uma doença grave e pode não ter mais muito tempo.
Isso desencadeia uma série de questionamentos em Trudi, sobre o modo como eles têm vivido e sobre tantas coisas que ela mesma quis e deixou de lado por conta da família.
O filme é de uma sensibilidade ímpar e ilustra bem os silêncios a que nos impomos tantas vezes diante daqueles que deveriam ser nossos íntimos - a família.
Lindo mesmo. Recomendo.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Despedida
Já no aeroporto, não conseguiu segurar uma lágrima. Saiu rolando, pesada, densa, rosto abaixo. Francisco olhou para ela: queria tanto que você me pedisse pra ficar... Mas agora é tarde, pensou. Era tarde: Francisco decolava madrugada adentro. Por dentro, uma sensação tipo soco no estômago. Fome. Ainda conseguia sentir fome. Parou numa lanchonete qualquer do aeroporto. Ao lado, mesinhas, tendas e uns índios fake. Totalmente fake, pensou.
Entrou num táxi. Precisava chegar em casa, tomar um banho, talvez de rosas. Descarregar aquela dor... de uma vez por todas?
No rádio, Roberta Sá declarava: Minha alegria voltou | Brilhando no alvorecer | Quando deixei de amar | E esperar por você...
Será que algum dia deixaria de esperar?
Entrou num táxi. Precisava chegar em casa, tomar um banho, talvez de rosas. Descarregar aquela dor... de uma vez por todas?
No rádio, Roberta Sá declarava: Minha alegria voltou | Brilhando no alvorecer | Quando deixei de amar | E esperar por você...
Será que algum dia deixaria de esperar?
domingo, janeiro 17, 2010
terça-feira, janeiro 12, 2010
Filmes de 2009
Queime depois de LerDivertidíssimo. Brad Pitt está hilário na pele de um professor de academia que só consegue pensar em sua própria aparência. Todos os atores dão um show. O filme tem um tipo de humor bem particular: além de mim, apenas umas 5 ou 6 pessoas gargalhavam no cinema. As outras pareciam não entender qual era a graça.
Sinédoque Nova YorkPhilip Seymour Hoffman está incrível nesse filme. A estória tem um tom obscuro, sombrio mesmo. E, aos poucos, vamos nos envolvendo junto com o protagonista na intrincada rede que ele mesmo armou em busca da sua arte. Interessante.

À Deriva
Quando soube que o mesmo diretor de "O Cheiro do Ralo" lançaria esse filme, fiquei atenta. Mais ainda quando soube que Vincent Cassel faria o papel principal. Adoro esse ator desde que vi "Senhores do Crime". O filme é muito legal, e me fez, talvez pela primeira vez, me colocar no lugar dos pais, nas situações de conflito que o filme relata.

Deixa Ela Entrar
Aqui é importante dizer que não curto filmes de vampiro. Geralmente, acho tudo uma grande bobeira. Mas esse filme não é sobre vampiros. Eu diria que é sobre relações, pessoas... E eu adoro estórias de pessoas.

Aconteceu em Woodstock
Divertido. Retrata muito bem como os acontecimentos ao nosso redor podem nos fazer mudar.

Budapeste
Aqui, destaque para Leonardo Medeiros - embora eu seja suspeita para falar dele. A cena do telefone, quando ele liga para a mulher e deixa recado na secretária eletrônica, é ótima. Bem como eu imaginei quando li o livro. Devo confessar que os romances do Chico Buarque não me agradam tanto e a presença da Giovana Antonelli dá um medo de que o filme enverede por aquele clima "Globo Filmes", sabe como é?
Se Beber, Não CasePreciso dizer que é muito difícil eu gostar de uma comédia. Mas gostei bastante desse filme. Vale a pena.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Chegada
A chuva apertava quando passei pelo portão.
Como de costume, Gabriel me abraçou longamente, sem se importar com os pingos grossos da chuva, ou as lágrimas que escorriam em meu rosto molhando agora seus cabelos...
Como de costume, Gabriel me abraçou longamente, sem se importar com os pingos grossos da chuva, ou as lágrimas que escorriam em meu rosto molhando agora seus cabelos...
sexta-feira, julho 31, 2009
Forte
Quando nos vimos pela última vez, ele me disse: você é forte.
Foi a pior coisa que poderia ter dito...
Foi a pior coisa que poderia ter dito...
segunda-feira, junho 08, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
Silêncio
1.
Te vejo a apenas alguns metros de distância. Proximidade mentirosa alimentando esse silêncio grosso e intransponível como um muro de concreto. Me divirto curiosamente observando as pessoas. O que você diria sobre a mulher histérica ali ao lado? O que diria sobre essas pessoas encenando todos os dias esse teatro estéril repetindo a mesma sopa de letrinhas e palavras que nada dizem?
Mas você não diz nada.
2.
Você passa por mim com o rosto crispado. Estou próxima a janela como quem espera. Em silêncio, você se dirige novamente à sua mesa onde escreve um inventário de palavras desconexas. Os cômodos jazem silenciosos pela casa. São onze horas da manhã e, até que o dia termine, você ainda há de passar três ou quatro vezes por aqui.
Mas você nada dirá.
3.
Ele entra no quarto e a vê, nua, deitada no chão. De lado, o braço formando um ângulo e sustentando o rosto com a mão. O resto de sol do fim da tarde penetra furtivamente pela rede e vai deitar sobre ela a luminosidade apagada de um dia que se põe. Ela tem o rosto marcado por 2 lágrimas. Ele não as vê mas compreende sua tristeza pela postura do corpo, pelo longo silêncio, por aquela cor avermelhada que é como a dor do sol quebrando o azul.
Quer confortá-la.
Mas ele não diz nada.
Te vejo a apenas alguns metros de distância. Proximidade mentirosa alimentando esse silêncio grosso e intransponível como um muro de concreto. Me divirto curiosamente observando as pessoas. O que você diria sobre a mulher histérica ali ao lado? O que diria sobre essas pessoas encenando todos os dias esse teatro estéril repetindo a mesma sopa de letrinhas e palavras que nada dizem?
Mas você não diz nada.
2.
Você passa por mim com o rosto crispado. Estou próxima a janela como quem espera. Em silêncio, você se dirige novamente à sua mesa onde escreve um inventário de palavras desconexas. Os cômodos jazem silenciosos pela casa. São onze horas da manhã e, até que o dia termine, você ainda há de passar três ou quatro vezes por aqui.
Mas você nada dirá.
3.
Ele entra no quarto e a vê, nua, deitada no chão. De lado, o braço formando um ângulo e sustentando o rosto com a mão. O resto de sol do fim da tarde penetra furtivamente pela rede e vai deitar sobre ela a luminosidade apagada de um dia que se põe. Ela tem o rosto marcado por 2 lágrimas. Ele não as vê mas compreende sua tristeza pela postura do corpo, pelo longo silêncio, por aquela cor avermelhada que é como a dor do sol quebrando o azul.
Quer confortá-la.
Mas ele não diz nada.
quinta-feira, maio 07, 2009
terça-feira, abril 28, 2009
Depois do Fim
Espalha os cacos pela casa enquanto caminha.
Não importa.
Já não importa.
Esperou pacientemente
que o dia terminasse.
E então compreendeu
aquilo que já adivinhara:
que aquele sim fora um não
que o fim já havia passado
e agora era um tempo além
daquilo que não se tem.
Não importa.
Já não importa.
Esperou pacientemente
que o dia terminasse.
E então compreendeu
aquilo que já adivinhara:
que aquele sim fora um não
que o fim já havia passado
e agora era um tempo além
daquilo que não se tem.
quinta-feira, abril 23, 2009
Morte
Restou a desordem inesperada das horas graves: armários escancarados, gavetas remexidas, documentos espalhados.
Alguém procura a senha do banco, ligações pro gerente conhecido. Gravidade pela casa. Música não pode, diz minha mãe.
Não quis ir ao enterro. Não queria essa lembrança pra desenterrar mais tarde. Mas, de certa forma, foi um erro: continei achando que meu avô ainda chegaria do bilhar. E continuei levantando de sua poltrona preferida toda vez que o portão da rua rangia.
Alguém procura a senha do banco, ligações pro gerente conhecido. Gravidade pela casa. Música não pode, diz minha mãe.
Não quis ir ao enterro. Não queria essa lembrança pra desenterrar mais tarde. Mas, de certa forma, foi um erro: continei achando que meu avô ainda chegaria do bilhar. E continuei levantando de sua poltrona preferida toda vez que o portão da rua rangia.
sexta-feira, abril 17, 2009
Sábado
Você já não sabe nada de mim.
Não sabe que ele me beijou numa tarde ensolarada.
Deitados no chão
nós nos cegávamos de céu.
Não sabe que ele me beijou numa tarde ensolarada.
Deitados no chão
nós nos cegávamos de céu.
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