Recordava-se dele mais bonito.
Cancelou o encontro e ficou com as lembranças.
(*) "A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la."
Gabriel Garcia Marquez
terça-feira, julho 19, 2005
terça-feira, julho 05, 2005
Pequenas Lembranças
Deitou sobre a cama pousando o rosto no travesseiro e sentindo o cheiro dos lençóis limpos, a cama impecavelmente arrumada.
Lembrou-se então da cama de sua avó onde se deitava nas tardes mornas de domingo, o crucifixo de madeira sobre a cabeceira e aquele cheiro de sol entranhado nas roupas de cama.
Lembrou-se então da cama de sua avó onde se deitava nas tardes mornas de domingo, o crucifixo de madeira sobre a cabeceira e aquele cheiro de sol entranhado nas roupas de cama.
O Dito pelo não Dito
Ela disse assim: deixa-me com estas tuas últimas palavras e vai.
Ele foi. Mas levou as palavras.
Ele foi. Mas levou as palavras.
segunda-feira, junho 27, 2005
O Bilhete
Deixou um punhado de palavras dispersas sobre o papel.
A tinta negra penetrando as tramas...
A tinta negra penetrando as tramas...
Madrugada
Na cozinha e na sala as luzes acordadas desafiavam a madrugada alta que ia colorindo com pequenos pontos o pano negro do céu lá fora.
As crianças dormiam no quarto - pijaminhas de flanela e porta encostada para conter o ruído dos adultos que precisam acordar cedo.
O aroma do café vai aquecendo as idéias e os destinos.
O sol silencioso se insinua.
É quase dia.
As crianças dormiam no quarto - pijaminhas de flanela e porta encostada para conter o ruído dos adultos que precisam acordar cedo.
O aroma do café vai aquecendo as idéias e os destinos.
O sol silencioso se insinua.
É quase dia.
terça-feira, junho 07, 2005
CEP 20.000
Se você tivesse vindo comigo
podíamos sentar ali no beijodromo
que é apenas duas cadeiras de plástico
sob a luz forte do holofote.
Mas...
que importa?
podíamos sentar ali no beijodromo
que é apenas duas cadeiras de plástico
sob a luz forte do holofote.
Mas...
que importa?
sexta-feira, maio 27, 2005
O Grão
Ele começou a declamar o poema apaixonadamente.
Ela ficou ali tentando encontrar nele o grão de honestidade sob aquelas grossas camadas de mentiras e disfarces.
Pensou que estava nos olhos porque os olhos brilhavam.
Ela ficou ali tentando encontrar nele o grão de honestidade sob aquelas grossas camadas de mentiras e disfarces.
Pensou que estava nos olhos porque os olhos brilhavam.
Intervalo Comercial
domingo, maio 08, 2005
sexta-feira, maio 06, 2005
A Dor e a Delícia...
Ela se mostrou com toda sua beleza e todos os seus pequenos defeitos e grandes delitos.
E ele adorou.
E ele adorou.
Figurinhas ou Das Pequenas Decepções de Meninice
Abriu rapidamente os cinco pacotes de figurinhas.
Apenas uma não era repetida.
Apenas uma não era repetida.
Nós vamos invadir sua praia!
Ultimamente tenho conhecido muita gente de fora... Alguns são praticamente brasileiros que nasceram no país errado. Não sei exatamente o que o Brasil tem, mas atrai uma galera para cá, para estudar, trabalhar, gente que vem atrás de um amor brasileiro que não pode viver sem...
Além do gringo original já amigo, conheci também uma menina eslovena, um repórter inglês, uma professora peruana que tem um marido inglês (ainda não sei o que vieram fazer aqui) e um viajante (sim, o cara praticamente só viaja) alemão que inclusive esteve lá em casa comendo comida árabe. Hummm, aí você pode me perguntar se eu tenho descendência árabe mas não tenho não...
Além do gringo original já amigo, conheci também uma menina eslovena, um repórter inglês, uma professora peruana que tem um marido inglês (ainda não sei o que vieram fazer aqui) e um viajante (sim, o cara praticamente só viaja) alemão que inclusive esteve lá em casa comendo comida árabe. Hummm, aí você pode me perguntar se eu tenho descendência árabe mas não tenho não...
domingo, maio 01, 2005
Viagem
A aeromoça anunciou que aterrissariam poucos minutos depois que ela se deixou vencer pelo cansaço e adormeceu. Então, acordou sobressaltada e colou o rosto na janela vendo lá de cima aquela paisagem tão familiar. Sorriu ao mesmo tempo em que não conteve as lágrimas.
Será que era mesmo?!
E era tudo verdade.
E era tudo mentira.
E era tudo verdade.
E era tudo mentira.
Não! Era tudo verdade!
Ou não era?!
E era tudo mentira.
E era tudo verdade.
E era tudo mentira.
Não! Era tudo verdade!
Ou não era?!
domingo, abril 17, 2005
Relíquia III
Às vezes, andar pela casa trazia-lhe um peso enorme. Sentia a presença daqueles fantasmas de existências desconhecidas.
Assim, passou os primeiros dias apenas no andar térreo, cuidando da limpeza daqueles cômodos empoeirados pelo tempo e pelo esquecimento.
A cortina da sala se desfez nas suas mãos e ele decidiu não retirá-la por enquanto. Lá fora os vizinhos curiosos disfarçavam olhares pela janela. Fingiu não perceber.
Preencheu seu tempo livre com alvejantes e vassouradas nos cantos do teto. Descobrindo insetos, aranhas e formigas. Tudo parecia ruir.
Assim, passou os primeiros dias apenas no andar térreo, cuidando da limpeza daqueles cômodos empoeirados pelo tempo e pelo esquecimento.
A cortina da sala se desfez nas suas mãos e ele decidiu não retirá-la por enquanto. Lá fora os vizinhos curiosos disfarçavam olhares pela janela. Fingiu não perceber.
Preencheu seu tempo livre com alvejantes e vassouradas nos cantos do teto. Descobrindo insetos, aranhas e formigas. Tudo parecia ruir.
segunda-feira, abril 11, 2005
Passado
Ela o encarou e ele sorriu acentuando as rugas em seu rosto. De repente, ela se deu conta: dez anos se passaram desde a última vez em que se viram. O tempo fez suas marcas no rosto daquele homem. Levou um susto e se envergonhou - teria ele percebido alguma reação? alguma expressão rápida demais para que pudesse refrear? Se ele percebeu não deixou transparecer.
Conversaram um pouco. Nada sobre os anos em que ainda se viam. Nada sobre os anos em que ela era uma menina e ele o pai a ouvir suas longas histórias. Não falaram disso. Ambos tinham medo. Falaram apenas sobre o que havia acontecido naqueles últimos anos. O casamento dela, o aprendizado da marcenaria que agora tinha a esperança de que fosse seu novo trabalho fora daquelas grades. Enquanto conversavam ela se surpreendeu: nada sentia por aquele homem. Na verdade, ele não era mais o mesmo homem. Não era o pai que ela havia tido na infância. Aquele pai se perdera. No tempo, no alcoolismo, na violência. Aquele homem a sua frente era apenas um vestígio. Deteriorava. E uma dor aguda, bem fina, invadiu seu coração. Sua tristeza era apenas por ver alguém tão sugado pela vida. Uma mágoa que já não tinha motivos.
Despediram-se apenas com um beijo rápido. O momento não permitia longos abraços como cada um deles talvez pudesse ter esperado. Ou desejado. Ela levantou-se rápido e sem olhar para trás, já lá fora, passou pelo portão. Não podia ajudá-lo, nem sentia-se capaz, e ele já não poderia lhe fazer nenhum mal. Sorriu. Lá fora, uma vida inteira a aguardava. Tudo o que passaram tinha ficado para trás.
Conversaram um pouco. Nada sobre os anos em que ainda se viam. Nada sobre os anos em que ela era uma menina e ele o pai a ouvir suas longas histórias. Não falaram disso. Ambos tinham medo. Falaram apenas sobre o que havia acontecido naqueles últimos anos. O casamento dela, o aprendizado da marcenaria que agora tinha a esperança de que fosse seu novo trabalho fora daquelas grades. Enquanto conversavam ela se surpreendeu: nada sentia por aquele homem. Na verdade, ele não era mais o mesmo homem. Não era o pai que ela havia tido na infância. Aquele pai se perdera. No tempo, no alcoolismo, na violência. Aquele homem a sua frente era apenas um vestígio. Deteriorava. E uma dor aguda, bem fina, invadiu seu coração. Sua tristeza era apenas por ver alguém tão sugado pela vida. Uma mágoa que já não tinha motivos.
Despediram-se apenas com um beijo rápido. O momento não permitia longos abraços como cada um deles talvez pudesse ter esperado. Ou desejado. Ela levantou-se rápido e sem olhar para trás, já lá fora, passou pelo portão. Não podia ajudá-lo, nem sentia-se capaz, e ele já não poderia lhe fazer nenhum mal. Sorriu. Lá fora, uma vida inteira a aguardava. Tudo o que passaram tinha ficado para trás.
segunda-feira, abril 04, 2005
Dialética (*)
"É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste..."
Vinicius de Moraes
(*) Para meu amigo Paulo. Onde andarás?
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste..."
Vinicius de Moraes
(*) Para meu amigo Paulo. Onde andarás?
sábado, abril 02, 2005
Para minha amiga Pe
Minha amiga de tantos anos e tantas conversas recheadas de carolinas... Sentirei saudades, até a próxima visita e desejo que você seja tão feliz quanto tem sido. Temo que, com o passar do tempo, o seu coração apazigue a dor da distância com alguma indiferença. Mas, não podemos lutar contra o invisível.
Mil beijos, da amiga que sentirá muito a sua falta.
Mil beijos, da amiga que sentirá muito a sua falta.
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