"Eu tenho meus desejos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém"
Peninha
quarta-feira, outubro 24, 2007
domingo, outubro 21, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Balanço
Restaram
estas flores desbotadas
o plástico duro das retinas
esses papéis de bala
amassados pelo chão.
Restou um cheiro
misturado
de perfume
excitação
cigarro
bebida.
(E estes paetês espalhados aí pelo chão)
estas flores desbotadas
o plástico duro das retinas
esses papéis de bala
amassados pelo chão.
Restou um cheiro
misturado
de perfume
excitação
cigarro
bebida.
(E estes paetês espalhados aí pelo chão)
Hino de Passagem
As coisas que passaram continuam
impávidas.
As coisas que passaram
resistem.
As coisas que passaram ainda me choram.
Choro as mesmas lágrimas.
Nada modifica.
As coisas que passaram não se importam:
só eu sofro ainda.
impávidas.
As coisas que passaram
resistem.
As coisas que passaram ainda me choram.
Choro as mesmas lágrimas.
Nada modifica.
As coisas que passaram não se importam:
só eu sofro ainda.
sexta-feira, outubro 12, 2007
A Rosa
Perdoa estas mãos vazias, amigo.
As flores que colhi para ti
não suportaram a espera.
O tempo se encarregou de murchá-las:
não a esperança.
Devagar retomo:
reencontros
abraços
lágrimas de partida que agora é chegada.
Perdoa estas mãos vazias.
(Nelas estavam as rosas)
As flores que colhi para ti
não suportaram a espera.
O tempo se encarregou de murchá-las:
não a esperança.
Devagar retomo:
reencontros
abraços
lágrimas de partida que agora é chegada.
Perdoa estas mãos vazias.
(Nelas estavam as rosas)
domingo, outubro 07, 2007
Às palavras que não foram ditas, acrescento estas...
É com silêncio que pretendes retribuir todas as minhas afirmações?...
Eu já muito disse do que passou e do que se deixou ficar.
Agora
tudo me cansa:
teu silêncio de pedra
que apesar das palavras não diz;
esses nós que deixamos sem desatar pelo caminho.
Já não sei se esqueço
se averiguo
voltando de tempos em tempos a cabeça para trás.
Os nós vão sumindo
distantes.
Distante também essa lembrança
de nós
de ti.
Como se sobrasse apenas um vago desejo
de que não tivesse sido bem assim...
Eu já muito disse do que passou e do que se deixou ficar.
Agora
tudo me cansa:
teu silêncio de pedra
que apesar das palavras não diz;
esses nós que deixamos sem desatar pelo caminho.
Já não sei se esqueço
se averiguo
voltando de tempos em tempos a cabeça para trás.
Os nós vão sumindo
distantes.
Distante também essa lembrança
de nós
de ti.
Como se sobrasse apenas um vago desejo
de que não tivesse sido bem assim...
quarta-feira, setembro 19, 2007
Viagem
II
Sento ao lado de um homem que lê no ônibus. Vejo as árvores correndo lá fora e tento disfarçar. Corre um vento levemente gelado por estes dias, encontrando meu rosto molhado de lágrimas. Tento em vão enxugá-las passando as mãos no rosto e secando-as no vestido já úmido. Tento rir do ridículo da minha situação: o vestido de flores miudinhas que não gosto mas uso porque ganhei, eu só no meio daquela multidão de gente voltando pra casa, sem conseguir conter o choro. O homem ao meu lado lê concentrado. E me pego torcendo que alguém me veja, mesmo ele e faça algo por mim. Tenho a sensação de que ao chegar no ponto onde devo descer não terei forças. Ele parece voltar o rosto em minha direção... Mas não... terá sido apenas uma impressão. Volta à leitura. Certamente, se eu soluçar ele há de confundir o meu choro com alguma personagem do livro e há de estar surdo para o meu desespero. Sinto que não terei forças... Tento me acalmar e, por alguns breves minutos, consigo conter o choro. Mas, ao virar de uma esquina, sem motivo nenhum, ao respirar mais profundamente como para me refazer dessa tristeza sufocante eis que o suspiro relembra a dor e já não posso conter as lágrimas de novo. Amanhã terei os olhos inchados, o rosto abatido. Tenho vergonha, já não sei como disfarçar... De súbito percebo que quase passei do ponto, levanto bruscamente e agradeço que tenha sido assim - não sabia que teria forças pra me levantar. Desço os degraus com as pernas um pouco fracas, vacilando, e ando a passos largos para casa. Abro a porta, atiro a roupa pelo corredor e me meto num banho bem quente. Exausta, me deixo ajoelhar e sento sobre os calcanhares no chão gelado do boxe... Tenho um fim de semana inteiro pela frente, sozinha neste apartamento e sei que o telefone não há de tocar, seguindo religiosamente sua mudez das últimas semanas. Afogo entre a água do chuveiro e o pranto: apenas os azulejos me escutam.
Sento ao lado de um homem que lê no ônibus. Vejo as árvores correndo lá fora e tento disfarçar. Corre um vento levemente gelado por estes dias, encontrando meu rosto molhado de lágrimas. Tento em vão enxugá-las passando as mãos no rosto e secando-as no vestido já úmido. Tento rir do ridículo da minha situação: o vestido de flores miudinhas que não gosto mas uso porque ganhei, eu só no meio daquela multidão de gente voltando pra casa, sem conseguir conter o choro. O homem ao meu lado lê concentrado. E me pego torcendo que alguém me veja, mesmo ele e faça algo por mim. Tenho a sensação de que ao chegar no ponto onde devo descer não terei forças. Ele parece voltar o rosto em minha direção... Mas não... terá sido apenas uma impressão. Volta à leitura. Certamente, se eu soluçar ele há de confundir o meu choro com alguma personagem do livro e há de estar surdo para o meu desespero. Sinto que não terei forças... Tento me acalmar e, por alguns breves minutos, consigo conter o choro. Mas, ao virar de uma esquina, sem motivo nenhum, ao respirar mais profundamente como para me refazer dessa tristeza sufocante eis que o suspiro relembra a dor e já não posso conter as lágrimas de novo. Amanhã terei os olhos inchados, o rosto abatido. Tenho vergonha, já não sei como disfarçar... De súbito percebo que quase passei do ponto, levanto bruscamente e agradeço que tenha sido assim - não sabia que teria forças pra me levantar. Desço os degraus com as pernas um pouco fracas, vacilando, e ando a passos largos para casa. Abro a porta, atiro a roupa pelo corredor e me meto num banho bem quente. Exausta, me deixo ajoelhar e sento sobre os calcanhares no chão gelado do boxe... Tenho um fim de semana inteiro pela frente, sozinha neste apartamento e sei que o telefone não há de tocar, seguindo religiosamente sua mudez das últimas semanas. Afogo entre a água do chuveiro e o pranto: apenas os azulejos me escutam.
terça-feira, setembro 18, 2007
Respostas
Estou só.
Aprendi a ter como companhia
apenas a luz do dia e a escuridão da noite.
Chamei. Pedi.
Ninguém veio.
Implorei. Desesperei.
E Deus não existiu.
Agora
que a seca estia
e posso, mesmo daqui,
ver algumas flores raras no jardim
é que vão chegando a mim algumas vozes.
Murmúrios.
Mantenho as portas fechadas.
Não responderei.
Apenas a quem me pedir auxílio
hei de socorrer:
por compaixão de mim mesmo.
Aprendi a ter como companhia
apenas a luz do dia e a escuridão da noite.
Chamei. Pedi.
Ninguém veio.
Implorei. Desesperei.
E Deus não existiu.
Agora
que a seca estia
e posso, mesmo daqui,
ver algumas flores raras no jardim
é que vão chegando a mim algumas vozes.
Murmúrios.
Mantenho as portas fechadas.
Não responderei.
Apenas a quem me pedir auxílio
hei de socorrer:
por compaixão de mim mesmo.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Reagente
Anda silenciosamente.
Sem rumo.
Responde apenas quando alguém chama.
Não chama.
Não pede.
Não implora.
Um dia
quando se cansar de só re-agir
pode ser que ninguém responda.
Sem rumo.
Responde apenas quando alguém chama.
Não chama.
Não pede.
Não implora.
Um dia
quando se cansar de só re-agir
pode ser que ninguém responda.
terça-feira, agosto 28, 2007
Viagem
Sento perto da janela, uma brisa levemente fria invade a brechinha aberta.
Abro o livro com cuidado acariaciando as palavras. A menina senta ao meu lado de olhos úmidos. Repetidas vezes enxuga o rosto com as mãos, depois as mãos no vestido, nervosamente. Eu investigo com o canto dos olhos: a menina chora. Por um tempo, desconcertado, miro inutilmente as palavras que vão se embaralhando na página branca do livro. Quero dizer alguma coisa, não que a conforte, mas que a distraia ou pelo menos a faça se sentir menos só. Olho de novo, de soslaio. Hesito. Por baixo das lágrimas o rosto bonito da menina me faz pensar... Certamente, há de achar que tenho cá comigo outras intenções que não a de consolá-la mesmo que momentaneamente. Certamente não há de perceber no abatimento recente do meu rosto, nestas rugas novas, toda a solidão que tenho passado nos últimos meses. Não há de ler no meu rosto a vontade de impedir que alguém se sinta como eu me senti há tempos atrás, chorando só no ônibus de volta pra casa e dando desculpas esfarrapadas para os nós do meu rosto a cada dia no trabalho: dormi mal, ando tendo noites de insônia, dormi muito, vi um filme, sai e voltei tarde para casa - mentiras cotidianas. A ninguém eu pude ser sincero e dizer: sofro. Apenas isso. É isso que crispa o meu rosto, é isto que me tornou em tão pouco tempo esse novo ancião. E por mais que o tempo vá curando os males, não desfaz estas marcas. Não... A menina ao meu lado não haveria de ter sofrido o bastante em sua recente existência para entender o meu sofrimento ao vê-la sofrendo. Talvez ela mudasse de assento. Talvez descesse do ônibus desesperada. Achei melhor me calar. Mas a repetição de seus gestos me atingia em cheio: eu não conseguia ler. Depois de muitas curvas, de muitas vezes ter passado as costas das mãos no rosto e muitas vezes tê-las enxugado no vestido - eu já lembrando da sensação da roupa úmida de solidão - ela se acalmou. Consegui ler algumas linhas no meu momento de egoísmo ou auto-defesa... não sei. Olhei de novo e vi os cílios unidos de lágrimas. Não pude. Baixei os olhos, depois olhei pra janela tentando evitar que eu também chorasse. Logo depois, ela levantou e desceu. Num ponto qualquer, num espaço qualquer entre o lugar que trabalho e o lugar que eu moro. E eu voltei, vencido, cansado, para casa. Acendi a luz do apartamento, bebi um gole de água. E requentei de novo aquele resto de solidão.
Abro o livro com cuidado acariaciando as palavras. A menina senta ao meu lado de olhos úmidos. Repetidas vezes enxuga o rosto com as mãos, depois as mãos no vestido, nervosamente. Eu investigo com o canto dos olhos: a menina chora. Por um tempo, desconcertado, miro inutilmente as palavras que vão se embaralhando na página branca do livro. Quero dizer alguma coisa, não que a conforte, mas que a distraia ou pelo menos a faça se sentir menos só. Olho de novo, de soslaio. Hesito. Por baixo das lágrimas o rosto bonito da menina me faz pensar... Certamente, há de achar que tenho cá comigo outras intenções que não a de consolá-la mesmo que momentaneamente. Certamente não há de perceber no abatimento recente do meu rosto, nestas rugas novas, toda a solidão que tenho passado nos últimos meses. Não há de ler no meu rosto a vontade de impedir que alguém se sinta como eu me senti há tempos atrás, chorando só no ônibus de volta pra casa e dando desculpas esfarrapadas para os nós do meu rosto a cada dia no trabalho: dormi mal, ando tendo noites de insônia, dormi muito, vi um filme, sai e voltei tarde para casa - mentiras cotidianas. A ninguém eu pude ser sincero e dizer: sofro. Apenas isso. É isso que crispa o meu rosto, é isto que me tornou em tão pouco tempo esse novo ancião. E por mais que o tempo vá curando os males, não desfaz estas marcas. Não... A menina ao meu lado não haveria de ter sofrido o bastante em sua recente existência para entender o meu sofrimento ao vê-la sofrendo. Talvez ela mudasse de assento. Talvez descesse do ônibus desesperada. Achei melhor me calar. Mas a repetição de seus gestos me atingia em cheio: eu não conseguia ler. Depois de muitas curvas, de muitas vezes ter passado as costas das mãos no rosto e muitas vezes tê-las enxugado no vestido - eu já lembrando da sensação da roupa úmida de solidão - ela se acalmou. Consegui ler algumas linhas no meu momento de egoísmo ou auto-defesa... não sei. Olhei de novo e vi os cílios unidos de lágrimas. Não pude. Baixei os olhos, depois olhei pra janela tentando evitar que eu também chorasse. Logo depois, ela levantou e desceu. Num ponto qualquer, num espaço qualquer entre o lugar que trabalho e o lugar que eu moro. E eu voltei, vencido, cansado, para casa. Acendi a luz do apartamento, bebi um gole de água. E requentei de novo aquele resto de solidão.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Inverno
Invade os meus ouvidos
uma enxurrada de palavras
que não entendo.
Não distingo
na expressão das faces
dessa gente
o que querem dizer.
Nada do que me dizem faz sentido.
Ou pouco importa.
Repetem
mecanicamente
gestos e palavras vazios.
Tudo me enfastia
essa falta de licença
pra sentir o que sinto
pra me trancar no silêncio destes dias.
E este sol criminoso
colorindo esses dias tristes...
uma enxurrada de palavras
que não entendo.
Não distingo
na expressão das faces
dessa gente
o que querem dizer.
Nada do que me dizem faz sentido.
Ou pouco importa.
Repetem
mecanicamente
gestos e palavras vazios.
Tudo me enfastia
essa falta de licença
pra sentir o que sinto
pra me trancar no silêncio destes dias.
E este sol criminoso
colorindo esses dias tristes...
quarta-feira, agosto 15, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
Leve
Havia uma súplica muda em mim para que você ficasse.
Você olhou bem nos meus olhos como quem não compreende aquilo que não é dito.
E então partiu...
Você olhou bem nos meus olhos como quem não compreende aquilo que não é dito.
E então partiu...
sexta-feira, julho 27, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
Noite de Autógrafos
Para Chacal
Ave poetacom teus olhos coloridos de céu.
Teus cabelos grisalhos de nuvem.
Tuas mãos repletas de palavras
teu sorriso.
Ave poeta.
Feliz com seu primeiro livro que fica de pé.
Outros virão.
E hão de caminhar sozinhos...
sexta-feira, julho 13, 2007
Janelas
Eu quis um novo rumo. Quis construir um caminho que visitasse os lugares onde nunca estive. Quis uma nova receita de sabores desconhecidos. Uma mistura de temperos inesperados. Quis andar com os pés descalços sobre a pedra aquecida de sol. Quis deixar o sol entrar. Abri todas as janelas da casa. E as janelas da alma. Havia algo por dentro que precisava desembolorar.
Se desembolorar fosse possível... Caso contrário, eu haveria de carregar aquele resquício comigo.
Não há de ser nada, pensei - tudo o que somos são resquícios.
Se desembolorar fosse possível... Caso contrário, eu haveria de carregar aquele resquício comigo.
Não há de ser nada, pensei - tudo o que somos são resquícios.
segunda-feira, julho 09, 2007
Des-Cisão
"E eu que nunca amei a ninguém
Pude então, enfim amar"
Volta entãoPude então, enfim amar"
que o caminho é longo...
Começa agora a caminhada.
Há de demorar
o tempo de aprender de novo
o sabor do beijo
a delicadeza das palavras
e gestos novos.
Porque há de ser necessário reinventar os gestos
até o extremo de desaprender o que é antigo.
Será imprescindível
armar um circo todas as tardes mornas de domingo
para aquecer aquilo que não pode ser
esquecido.
Constrói de novo um castelo
onde seja possível proteger
da chuva e das tempestades.
Aprende novos passos
desta mesma dança.
E dança.
Como nunca fizeste.
Volta.
Mas coloca pé ante pé
a tua decisão.
Avança cada centímetro
de reconquista
confiança
e sabores renovados.
Volta.
Começa agora a caminhada.
Porque há de ser preciso
reconstruir os caminhos.
quinta-feira, julho 05, 2007
Casulo
Não era aqui que as palavras moravam...
Antes de tudo
antes de mim.
Era em algum lugar mais distante que o tempo
mais insípido que as lembranças.
Era lá que elas apareciam.
E aqui,
sem querer,
se desnudaram.
Como se fora o avesso
do que deveria ser.
E assim se formaram
impávidas.
Sobrevivemos.
Havíamos de sobreviver.
Foi para isso que as palavras vieram:
para contar.
Antes de tudo
antes de mim.
Era em algum lugar mais distante que o tempo
mais insípido que as lembranças.
Era lá que elas apareciam.
E aqui,
sem querer,
se desnudaram.
Como se fora o avesso
do que deveria ser.
E assim se formaram
impávidas.
Sobrevivemos.
Havíamos de sobreviver.
Foi para isso que as palavras vieram:
para contar.
sexta-feira, junho 15, 2007
Inventário
Houve um tempo em que não havia abismos.
E eu podia transitar entre o meu universo e o seu sem sustos...
E eu podia transitar entre o meu universo e o seu sem sustos...
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