segunda-feira, novembro 05, 2007

Personagem

A cada golpe eu finjo
que o coração magoado suporta
que os pés feridos de caminhar
aguentam
que o que tenho nos olhos
é poeira
e não lágrima
que a amargura da voz é cansaço.
E não
solidão.

sábado, novembro 03, 2007

Não

Eu exigi de você
as palavras que eu queria ouvir.
Levei muito tempo pra entender
que o seu silêncio negava
aquilo que eu pedia.

quarta-feira, outubro 24, 2007

domingo, outubro 21, 2007

quarta-feira, outubro 17, 2007

Balanço

Restaram
estas flores desbotadas
o plástico duro das retinas
esses papéis de bala
amassados pelo chão.
Restou um cheiro
misturado
de perfume
excitação
cigarro
bebida.
(E estes paetês espalhados aí pelo chão)

Só Agora Entendi...

Não sou eu que sou triste.
É uma tristeza
que mora
dentro de mim.

Hino de Passagem

As coisas que passaram continuam
impávidas.
As coisas que passaram
resistem.
As coisas que passaram ainda me choram.
Choro as mesmas lágrimas.
Nada modifica.
As coisas que passaram não se importam:
só eu sofro ainda.

sexta-feira, outubro 12, 2007

A Rosa

Perdoa estas mãos vazias, amigo.
As flores que colhi para ti
não suportaram a espera.
O tempo se encarregou de murchá-las:
não a esperança.
Devagar retomo:
reencontros
abraços
lágrimas de partida que agora é chegada.
Perdoa estas mãos vazias.
(Nelas estavam as rosas)

domingo, outubro 07, 2007

Às palavras que não foram ditas, acrescento estas...

É com silêncio que pretendes retribuir todas as minhas afirmações?...
Eu já muito disse do que passou e do que se deixou ficar.
Agora
tudo me cansa:
teu silêncio de pedra
que apesar das palavras não diz;
esses nós que deixamos sem desatar pelo caminho.
Já não sei se esqueço
se averiguo
voltando de tempos em tempos a cabeça para trás.
Os nós vão sumindo
distantes.
Distante também essa lembrança
de nós
de ti.
Como se sobrasse apenas um vago desejo
de que não tivesse sido bem assim...

quarta-feira, setembro 19, 2007

Viagem

II

Sento ao lado de um homem que lê no ônibus. Vejo as árvores correndo lá fora e tento disfarçar. Corre um vento levemente gelado por estes dias, encontrando meu rosto molhado de lágrimas. Tento em vão enxugá-las passando as mãos no rosto e secando-as no vestido já úmido. Tento rir do ridículo da minha situação: o vestido de flores miudinhas que não gosto mas uso porque ganhei, eu só no meio daquela multidão de gente voltando pra casa, sem conseguir conter o choro. O homem ao meu lado lê concentrado. E me pego torcendo que alguém me veja, mesmo ele e faça algo por mim. Tenho a sensação de que ao chegar no ponto onde devo descer não terei forças. Ele parece voltar o rosto em minha direção... Mas não... terá sido apenas uma impressão. Volta à leitura. Certamente, se eu soluçar ele há de confundir o meu choro com alguma personagem do livro e há de estar surdo para o meu desespero. Sinto que não terei forças... Tento me acalmar e, por alguns breves minutos, consigo conter o choro. Mas, ao virar de uma esquina, sem motivo nenhum, ao respirar mais profundamente como para me refazer dessa tristeza sufocante eis que o suspiro relembra a dor e já não posso conter as lágrimas de novo. Amanhã terei os olhos inchados, o rosto abatido. Tenho vergonha, já não sei como disfarçar... De súbito percebo que quase passei do ponto, levanto bruscamente e agradeço que tenha sido assim - não sabia que teria forças pra me levantar. Desço os degraus com as pernas um pouco fracas, vacilando, e ando a passos largos para casa. Abro a porta, atiro a roupa pelo corredor e me meto num banho bem quente. Exausta, me deixo ajoelhar e sento sobre os calcanhares no chão gelado do boxe... Tenho um fim de semana inteiro pela frente, sozinha neste apartamento e sei que o telefone não há de tocar, seguindo religiosamente sua mudez das últimas semanas. Afogo entre a água do chuveiro e o pranto: apenas os azulejos me escutam.

terça-feira, setembro 18, 2007

Respostas

Estou só.
Aprendi a ter como companhia
apenas a luz do dia e a escuridão da noite.
Chamei. Pedi.
Ninguém veio.
Implorei. Desesperei.
E Deus não existiu.
Agora
que a seca estia
e posso, mesmo daqui,
ver algumas flores raras no jardim
é que vão chegando a mim algumas vozes.
Murmúrios.
Mantenho as portas fechadas.
Não responderei.
Apenas a quem me pedir auxílio
hei de socorrer:
por compaixão de mim mesmo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Reagente

Anda silenciosamente.
Sem rumo.
Responde apenas quando alguém chama.
Não chama.
Não pede.
Não implora.
Um dia
quando se cansar de só re-agir
pode ser que ninguém responda.

terça-feira, agosto 28, 2007

Viagem

Sento perto da janela, uma brisa levemente fria invade a brechinha aberta.
Abro o livro com cuidado acariaciando as palavras. A menina senta ao meu lado de olhos úmidos. Repetidas vezes enxuga o rosto com as mãos, depois as mãos no vestido, nervosamente. Eu investigo com o canto dos olhos: a menina chora. Por um tempo, desconcertado, miro inutilmente as palavras que vão se embaralhando na página branca do livro. Quero dizer alguma coisa, não que a conforte, mas que a distraia ou pelo menos a faça se sentir menos só. Olho de novo, de soslaio. Hesito. Por baixo das lágrimas o rosto bonito da menina me faz pensar... Certamente, há de achar que tenho cá comigo outras intenções que não a de consolá-la mesmo que momentaneamente. Certamente não há de perceber no abatimento recente do meu rosto, nestas rugas novas, toda a solidão que tenho passado nos últimos meses. Não há de ler no meu rosto a vontade de impedir que alguém se sinta como eu me senti há tempos atrás, chorando só no ônibus de volta pra casa e dando desculpas esfarrapadas para os nós do meu rosto a cada dia no trabalho: dormi mal, ando tendo noites de insônia, dormi muito, vi um filme, sai e voltei tarde para casa - mentiras cotidianas. A ninguém eu pude ser sincero e dizer: sofro. Apenas isso. É isso que crispa o meu rosto, é isto que me tornou em tão pouco tempo esse novo ancião. E por mais que o tempo vá curando os males, não desfaz estas marcas. Não... A menina ao meu lado não haveria de ter sofrido o bastante em sua recente existência para entender o meu sofrimento ao vê-la sofrendo. Talvez ela mudasse de assento. Talvez descesse do ônibus desesperada. Achei melhor me calar. Mas a repetição de seus gestos me atingia em cheio: eu não conseguia ler. Depois de muitas curvas, de muitas vezes ter passado as costas das mãos no rosto e muitas vezes tê-las enxugado no vestido - eu já lembrando da sensação da roupa úmida de solidão - ela se acalmou. Consegui ler algumas linhas no meu momento de egoísmo ou auto-defesa... não sei. Olhei de novo e vi os cílios unidos de lágrimas. Não pude. Baixei os olhos, depois olhei pra janela tentando evitar que eu também chorasse. Logo depois, ela levantou e desceu. Num ponto qualquer, num espaço qualquer entre o lugar que trabalho e o lugar que eu moro. E eu voltei, vencido, cansado, para casa. Acendi a luz do apartamento, bebi um gole de água. E requentei de novo aquele resto de solidão.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Inverno

Invade os meus ouvidos
uma enxurrada de palavras
que não entendo.
Não distingo
na expressão das faces
dessa gente
o que querem dizer.
Nada do que me dizem faz sentido.
Ou pouco importa.
Repetem
mecanicamente
gestos e palavras vazios.
Tudo me enfastia
essa falta de licença
pra sentir o que sinto
pra me trancar no silêncio destes dias.
E este sol criminoso
colorindo esses dias tristes...

segunda-feira, agosto 13, 2007

Leve

Havia uma súplica muda em mim para que você ficasse.
Você olhou bem nos meus olhos como quem não compreende aquilo que não é dito.
E então partiu...

terça-feira, julho 24, 2007

Noite de Autógrafos

Para Chacal
Ave poeta
com teus olhos coloridos de céu.
Teus cabelos grisalhos de nuvem.
Tuas mãos repletas de palavras
teu sorriso.
Ave poeta.
Feliz com seu primeiro livro que fica de pé.
Outros virão.
E hão de caminhar sozinhos...

sexta-feira, julho 13, 2007

Janelas

Eu quis um novo rumo. Quis construir um caminho que visitasse os lugares onde nunca estive. Quis uma nova receita de sabores desconhecidos. Uma mistura de temperos inesperados. Quis andar com os pés descalços sobre a pedra aquecida de sol. Quis deixar o sol entrar. Abri todas as janelas da casa. E as janelas da alma. Havia algo por dentro que precisava desembolorar.
Se desembolorar fosse possível... Caso contrário, eu haveria de carregar aquele resquício comigo.
Não há de ser nada, pensei - tudo o que somos são resquícios.

segunda-feira, julho 09, 2007

Des-Cisão

"E eu que nunca amei a ninguém
Pude então, enfim amar"


Volta então
que o caminho é longo...
Começa agora a caminhada.
Há de demorar
o tempo de aprender de novo
o sabor do beijo
a delicadeza das palavras
e gestos novos.
Porque há de ser necessário reinventar os gestos
até o extremo de desaprender o que é antigo.
Será imprescindível
armar um circo todas as tardes mornas de domingo
para aquecer aquilo que não pode ser
esquecido.
Constrói de novo um castelo
onde seja possível proteger
da chuva e das tempestades.
Aprende novos passos
desta mesma dança.
E dança.
Como nunca fizeste.
Volta.
Mas coloca pé ante pé
a tua decisão.
Avança cada centímetro
de reconquista
confiança
e sabores renovados.
Volta.
Começa agora a caminhada.
Porque há de ser preciso
reconstruir os caminhos.

quinta-feira, julho 05, 2007

Casulo

Não era aqui que as palavras moravam...
Antes de tudo
antes de mim.
Era em algum lugar mais distante que o tempo
mais insípido que as lembranças.
Era lá que elas apareciam.
E aqui,
sem querer,
se desnudaram.
Como se fora o avesso
do que deveria ser.
E assim se formaram
impávidas.
Sobrevivemos.
Havíamos de sobreviver.
Foi para isso que as palavras vieram:
para contar.

sexta-feira, junho 15, 2007

Inventário

Houve um tempo em que não havia abismos.
E eu podia transitar entre o meu universo e o seu sem sustos...

Sereno

Eu caminho pelos lugares onde estivemos.
As coisas não sentem falta de nós.
Tudo permanece.
Eu caminho
e finjo que não percebo
a intocável quietude das coisas...
Nada as demove:
só eu sinto a tua falta.

sexta-feira, junho 08, 2007

"Nem é preciso dizer que está muito bonito" *

A platéia interrompe as músicas aplaudindo.
"Ana Júlia" é acompanhada com entusiasmo como se não fosse preterida.
Amarante erra a letra de "Do Sétimo Andar" e a gente aplaude.
O show é triste e feliz ao mesmo tempo. Camelo se declara para o público carioca.
O que mais eu posso dizer sobre essa noite?
Que cantei até gastar a voz, pulei feito uma louca e tinha ao meu lado pessoas que eu amo mais que tudo em minha vida...

* Rodrigo Amarante sobre o show que a platéia deu durante a primeira noite de despedida do Los Hermanos na Fundição Progresso.

Voltas

E eu quis
numa curva qualquer
atirar-me.
Mas o tempo
deu voltas
nas voltas
do meu intento.
E agora
acordo-me assim
de novo
de volta
antes
de mim.

domingo, junho 03, 2007

Palavras Apenas

Ela guardou consigo aquelas poucas frases que ele tinha dito:
"Você fica bem de vermelho", "Gosto das suas unhas sem esmalte".
E, às vezes, quando apertava uma saudade qualquer, sorrateira, ela se esforçava por lembrar mais do que aquelas frases tão simples... Algo que dissesse mais. Mas não podia lembrar - tinham se dito tão pouco...
Então repassava as mesmas frases para si mesma...

"Você fica bem de vermelho" era a sua preferida...

sexta-feira, junho 01, 2007

You Are My Sister

You are my sister, we were born
So innocent, so full of need
There were times we were friends but times I was so cruel
Each night I'd ask for you to watch me as I sleep
I was so afraid of the night
You seemed to move through the places that I feared
You lived inside my world so softly
Protected only by the kindness of your nature
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
We felt so differently then
So similar over the years
The way we laugh the way we experience pain
So many memories
But theres nothing left to gain from remembering
Faces and worlds that no one else will ever know
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They're gonna come true (gonna come true)

segunda-feira, maio 28, 2007

sexta-feira, maio 18, 2007

Um Pouco de Mim

"Minha filha, chegou a hora de você ser a sua melhor amiga..."

Uma amiga me explica que está chegando aos 30 e precisa logo arrumar um marido pois quer ter filhos. Explica-me calmamente que não precisa ser um ótimo marido contanto que seja um bom pai (eu me pergunto se é possível um homem se preocupar em ser um bom pai e não em ser um bom marido). Afinal, casamento pode não ser para sempre, ela me diz.
Eu sei. Passo por um grande ruptura (apenas uma?!) agora mesmo. Estou me separando e sei o quanto isso é doloroso. E no meu caso tenho certeza de que está sendo mais fácil do que o normal. Somos amigos, companheiros mesmo... e eu imagino que dificilmente deixaremos de ser.
Lembro-me de que nunca quis casar na igreja - coisa que realmente não fiz - ou com qualquer outro tipo de solenidade.
Primeiro porque casamento é essencialmente um compromisso entre duas pessoas apenas - embora todo mundo tente opinar mais cedo ou mais tarde. Segundo porque eu acho que nunca fui ingênua ou inocente o suficiente para não achar desnecessário esse tipo de coisa (respeito quem pensa diferente).
No meio desse turbilhão de acontecimentos, tive que enfrentar também uma mudança de emprego. Desafios mais altos... E eu estava só porque o homem com quem eu dividi toda a minha vida adulta partia para uma (longa para mim) viagem.
Descubro entre uma tentativa e outra de não passar todos os momentos sozinha, que alguns amigos "considerados em comum" - eu não acredito muito nisso - são apenas amigos dele mesmo... Fogem de quaisquer convites. Aprendo rápido, desisto logo.
Certos aprendizados são dolorosos. Mas muito válidos.
Estou só e mesmo os "meus" amigos parecem ter combinado um período para não terem tempo. Alguns sequer chegam a saber do que se passa, tamanho o meu azar, estão tão sem tempo que respondem logo "vamos demorar a marcar algo por isso e aquilo"... Não podem ler as lágrimas que trago na minha voz.
Por força de alguns acontecimentos - eu diria, no mínimo, inusitados - me distancio de um amigo muito caro para mim... Esse é o momento em que tenho que caminhar só, penso.
Mas... nem tudo são tristezas.
Finalmente estou trabalhando de novo com uns amigos queridos.
O trabalho tem sido motivador...
Além disso, descubro uma força em mim que eu desconhecia. Algo novo que preciso explorar e desenvolver.
Alguns amigos se preocupam na medida do que podem. Nenhum, porém, tem sido realmente presente nestes momentos. Não importa. Aprendo a baixar expectativas com relação a muitas coisas. Além disso, tem sido importante contar apenas comigo mesma.
Em algum ponto de nossas vidas (ou em vários) a gente é capaz de sentir algo que na maior parte do tempo apenas adivinhamos: caminhamos sozinhos. Somos, essencialmente, solitários. E eu retomo o gosto que tinha na adolescência por meus momentos de puro isolamento.
Há alguém que ao voltar pode já não me reconhecer...

Essa frase aí em cima foi generosamente compartilhada comigo por alguém que passou por algo semelhante. E que teve a felicidade de contar com uma mãe sábia o suficiente para dizê-la assim tão simplesmente.

sexta-feira, maio 11, 2007

Plural

Todos os nomes me cabem -
os raros
e os cotidianos.
Todas as dores são minhas.
Mas também
todas as alegrias...

quinta-feira, maio 10, 2007

quarta-feira, maio 09, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

Descaminhos

Eu ando por aqui
como quem pertence.
Me empresta um charme qualquer
ver a praia todos os dias.
Não importa o calor que
faz no Rio:
por aqui sempre corre uma brisa
de agasalhar as alegrias
e esconder a tristeza nos olhos.
O sol que se derrama sobre o pão de açúcar
o bondinho despreocupado carregando os turistas...
tudo é tranquilo de se olhar.
O Cristo lá de cima olhando
quando eu chego.
Desço do ônibus e levanto a cabeça
procurando.
Mando um abraço no pensamento.
O dia começa outra vez.

quarta-feira, abril 25, 2007

Pequeno Dicionário das Coisas que Não Serão Ditas

Tudo me cabe neste silêncio:
a ausência de teus gestos
o infinito desta distância
teus olhos quando não me vêem.
Aqui tudo é de partir.
Mesmo aquilo que não chegou a ser.
Todas as solidões me doem -
até o barulho silencia.

sexta-feira, abril 20, 2007

Um dia de cada vez

Estás diante de mim.
És nesse momento simples
e pouco
meu.
Amanhã...
Amanhã será outro dia.

Diferente

Serão iguais a mim?
Com medos e coragens e alegrias histéricas e dores pungentes?
Serão
mesmo
iguais a mim?
Verborrágicos e sorumbáticos
devorados e famintos?
Serão
estes
iguais a mim?...

Infinitesimalmente *

Urge ver-te. E não -
o tempo será curto.
Mesmo com todos os infinitos.

* Eu roubei esse título. Acho que estou virando marginal... :)

domingo, abril 15, 2007

Núcleo

Nada disso me modifica.
Há algo em mim que permanece.
Durante tempestades e bonanças...
É isto
o que me define?
Este algo que percorre em mim as mudanças
que se me impoem?
Há algo mais.
Além do que posso compreender.

Transitório

Já não era mais o mesmo.
Nem era outro...

domingo, abril 08, 2007

terça-feira, abril 03, 2007

Tudo ao Mesmo Tempo Agora

Gente,
só para contar que esse ano começou como nenhum outro. Mil mudanças acontecendo e algumas nem compartilhei com vocês...
Uma delas, muito boa, é que saiu a antologia de poemas para a qual fui convidada... Chama-se "Labirinto de Espelhos" e foi lançada pela editora De Leon. Estou enviando o livro para uma Clara Vasconcelos - portuguesa - que me mandou um email carinhoso há tempos perguntando em que livro estava publicado um poema meu que ela gostou muito. Era o Bumerangue. Expliquei que não tinha livro publicado mas que talvez saísse a tal antologia e prometi um exemplar caso acontecesse.
O livro está a caminho, Clara, simbolizando muitas pessoas a quem eu gostaria de entregá-lo.
Fiquei sabendo agora mesmo que essa semana vai ter a IV Semana Cultural em Santa. Não percam, tem muita coisa legal...
E por último mas não menos importante: Cissa voltou com seus textos maravilhosos. Confiram, vale a pena!

A Lente

Quero algo que me revele
no curto espaço de um close:
os olhos muito maquiados
como não costumo.
A boca num gesto
sem conclusão.
Quero algo que me revele
uma beleza qualquer
em mim.

segunda-feira, abril 02, 2007

Pronta

Pronto ou não, lá vou eu...
Estarei pronta?
Não um dia
mas agora.
Sem fobias
nem angústias?
O sono roubado rondando-me nas esquinas.
Estarei eu
madura?
Posso afirmar:
esta sou eu!?
O que em mim
me define?
Pergunto-me
até perder-me...
Tecer-me:
esta é minha sina.

quinta-feira, março 22, 2007

Caminhando

Quanto esses passos me levam
a mim?
Caminho por uma rua
onde árvores outonam folhas pelo
chão.
As folhas secas quebram o silêncio gelado
sob meus pés.
Caminho.

Quanto disto me leva
até mim?
Nada responde.
Me perco entre as sombras
que o sol se esconde.
Eu sigo.
Já não posso retornar ao que sou.

terça-feira, março 13, 2007

quinta-feira, março 08, 2007

À Luta

A você que já chorou no banheiro do trabalho porque foi agredida...
A você que é tida como histérica porque reclama seus direitos.
A você que tem que se desdobrar em mil e fazer tudo perfeito porque não teve "a sorte" de ter nascido homem.
A você que realmente sabe que hoje é um dia de luta e não de flores.
A você...
Parabéns.

E aos homens da minha vida que me acostumam pessimamente, fazendo-me acreditar que dias melhores virão.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Fantasias

Desfilam bailarinas perto de mim. As sapatilhas de ponta no asfalto.
Fadas tecem feitiços. Sacam o pó de pirlimpimpim e ele se confunde com os confetes.
Passam palhaços afoitos. O sorriso marcado no rosto, mesmo quando a boca não sorri.
Enfim... desfilam: borboletas, piratas, sacis.
No fim da noite, restam a fantasia sobre o sofá, os confetes pelo chão da casa. A serpentina enrolada na antena da tv.
Uma mágica momentânea findou.
Não será o último dia do tempo.
Outros carnavais virão.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O Bloco

Ando na mão oposta. Contra o bloco. Contra a corrente de foliões.
Tudo desliza sob a chuva fina. Alguém grita ao longe. Não entendo. Dinheiro, cabeleira, Zezé.
O som vai se abafando em meus ouvidos. Porque rumo contra.
Contra a maré de alegria, contra a massa enlouquecida, contra os ambulantes e toda essa tralha gelada, o gelo potável do isopor.
Tento avançar. Esse nada me detém. Aqui não há espaço para o que é triste, devagar, sombrio.
Acho alguém na multidão. Quero salvar-me, achar-me nessas ruas estreitas de paralelepípedos escorregadios.
A chuva nos protege.
De repente, o bloco faz a curva e me vejo só no largo. Debruço nas grades aliviado.
Desorientado. Mas a salvo.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Postal

Desenhou um sol com um sorriso atrás do cartão postal.
Não sabia mais o que dizer...

Síntese

Tudo isto sou eu.
Estas contradições despedaçadas
este sorriso
esta lágrima.

Este sim
e este não.

Carnaval

Os foliões atravessam
a avenida.
Bate-bolas, bailarinas, palhaços
desfilam alegrias.
Chove confete e serpentina.
A bateria
não abafa as batidas
aqui de dentro.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

(Des)construir-me

Levei todo esse tempo construindo isto que eu achava que era.
De repente, reparo que não caibo em mim.
Selecionei cuidadosamente
tijolo por tijolo
disso que não sou.
Urge desconstruir-me.
Juntar mais livremente as peças
dessa contradição que (me) revelo.

sábado, janeiro 27, 2007

Ficção

Procuro um livro vermelho.
As prateleiras se calam.
Tudo é silencioso entre os livros...
Me perco entre as páginas
de vidas e vidas
não vividas.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

sábado, janeiro 20, 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Em Breve

Em breve estarei forte de novo.
Em breve
estarei transbordante de palavras.
E histórias.
Em breve, serei
a dona da história.
De todas as histórias
que eu ainda puder inventar.

Em breve
te direi uma só palavra.
Aquela que esperas.
Em breve.
Muito em breve.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Emudece

As palavras silenciam em tua boca.
Tudo emudece.
Tens medo
eu sei.
Também o sinto.
Mas solto as palavras
fio a fio
do pensamento.
Ouves calado.
Surpreende-te.
Assim é.
Tudo isso que dizes já conhecer.
Mesmo assim, surpreende-te.
Cala-te.
Tudo em ti silencia.

domingo, dezembro 31, 2006

Balanço (Multimídia) de Final de Ano

Seguindo a idéia do ano passado, vou listar aqui os livros que li e os filmes que vi em 2006 que mais me marcaram.
Infelizmente, 2006 não foi um ano de muitas descobertas na música, como 2005... Mas não posso reclamar: consegui colocar a resolução de ano novo em prática - ler mais e viajar mais. Foi ótimo. Também fiz resoluções interessantes para 2007. Que ele venha pois, com cores e alegrias.

Livros:
- Noites Brancas (Fiódor Dostoiévski)
- Um Copo de Cólera (Raduan Nassar)
- Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel Garcia Márquez)
- Relato de um Náufrago (Gabriel Garcia Márquez)
- O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel Garcia Márquez)
- A Mão Esquerda da Escuridão (Ursula K. Le Guin)
- Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo)
- Humano, Demasiado Humano (Friedrich Nietzsche)
- A Jangada de Pedra (José Saramago)
- Levantado do Chão (José Saramago)

Filmes:
- Crash
- Terra Fria
- Uma Vida Iluminada
- O Libertino
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Congresso Internacional do Medo

"Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas."

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 25, 2006

domingo, dezembro 24, 2006

Passagem do Ano



"O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia."

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Alégrima

Não percebes mais o olho
prenhe de lágrimas...
Está lá a lágrima
invisível.
E tu não notas.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

De Vendas nos Olhos mas com o Coração à Mostra

É dentro de mim que mora isso que eu desconheço. Essas frases proferidas sem paixão. Palavras feitas, tecidas de retalhos alheios. É dentro de mim que está: isto que interroga sem sossego. Este silêncio (re)provando. São estes os meus mistérios.
Desvenda.

A Última Gota

Chove...
Tanta água pra lavar aquilo que não pode -
rugas, preocupações, contas que vencem...
Continua aqui no meu peito
esse aperto imensurável.
Chove.

Incidental

O vento balança cortinas e certezas.
Tu não estás.
Ganho
mas não estou feliz...
Desejar o que desconhecemos
pode ser bem perigoso...

domingo, dezembro 03, 2006

À Espera

V

Chego à casa. Desato os nós dos sapatos, não os do pensamento. Resigno-me. É sexta-feira. Maria deixou a casa cheirando a limpo. Olho em redor. Pequenas coisas se calam. Nada aconchega. Longe de tudo, de minha irmã que me sorri pés ao alto na foto, nessa cidade em tudo corre para lugar nenhum.
Quanto a ela... se foi. Viajou para algum lugar indefinido, desimportante. Sei porque a secretária me informa com seu jeito eletrônico. Nada é ao vivo nesta conversa. Sei que ela está longe mas não posso sentir. Percebo pouco a pouco que tudo que busquei foi uma idéia. A idéia perdeu-se. Já nada sei.
As coisas comportam-se em seus lugares. Essa rigidez educada me aborrece. Olhar-me assim no espelho e ver sempre o mesmo. Os mesmos horários, as mesmas coisas que peço a Maria que faça, o mesmo ônibus, o mesmo itinerário.
Lembro-me então do convite. A casa da praia observando o mar, azul azul no horizonte. Miro o telefone uma única vez: não move um músculo de sua face, não brilham os algarismos... Pouco importa se ela ligar. Tomo um banho surpreendentemente rápido, ponho tenho ou quatro mudas de roupas na mochila e faço um telefonema: a que horas vão sair, ainda é tempo para encontrá-los? Sim, as respostas são todas afirmativas... Uma sorte qualquer repentinamente me sorri. Pego as chaves, fecho as janelas, despeço-me por um final de semana deste apartamento frio. Dou adeus ao telefone... sem sequer mirá-lo.

domingo, novembro 19, 2006

Os lugares que visito não me visitam. Ando aqui carregando este pesado silêncio. As palavras que desembrulho não me notam. A cada nota um desafi(n)o. Andar a passos breves nos evidencia: para entender há de explicar...

Só para ver

Deixaram de olhar pela janela.
Quem sonha espera. O tempo a tecer nuvens lá fora. Acorda. É agora.
E saíram enfim pra ver.

Cena

Antônio entra e bate a porta. Sem sutilezas. Chega cansado do dia que o percorreu. Helena, sentada no sofá num momento de trégua das domésticas tarefas observa o marido de soslaio. Espera uma palavra qualquer de inesperada delicadeza. Não será hoje. Também não.
Antônio banha-se demoradamente enquanto Helena assiste a novela. Na tela, declarações ensaiadas invadem a cena. Queria Helena também ser essa rosa delicada, merecedora de palavras e gestos. Sonha acordada com aquilo que - sabe - não terá. Apenas sonha; não espera. Não é ingênua.
Resigna-se Helena com a louça da noite por lavar. Eterno exercício de paciência. Nada acaba.
Antônio se deita a seu lado, exausto. Diz meias palavras. Guarda para si as dificuldades do cotidiano, os aborrecimentos do trabalho. Helena compreende e agradece em silêncio a pequena sutileza do marido. Aconchega-se no seu peito e ele a abraça. Faz muito calor neste pequeno apartamento do subúrbio do Rio. Ainda assim, marido e mulher dormem entrelaçados.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Fuga(z)

Você me foge entre os dedos:
palavras sussurradas no ouvido,
carinhos difusos.
Me prega peças diversas.
Fazendo-me crer no amor
que já não tem.
Tudo é picadeiro
encenação de amor
quase verdadeiro.
Mas a verdade se esvai
pouco
a
pouco.
Agora
você já nem nota.

domingo, outubro 29, 2006

Vestígios

Resta-me
um gosto amargo de ausência.
Uma urgência qualquer
de tua presença em mim.
O cheiro dos teus cabelos
na minha lembrança.
Resta-me
essa solidão sem remédios
dentro do peito...

sexta-feira, outubro 20, 2006

*

As ruas, lá fora, como um rio... Denso... Negro...
Sua imagem refletida em cada poça
Busca luz, mas olha pro chão...
Nele as mesmas pedras se repetem
Que já pisou tantas vezes...
O que deseja compreender através delas?
Tudo que consegue ver são as poças de sua própria vida cada vez mais fundas...
Por que chove? Essa tristeza úmida penetrando os poros...
Quanto de si ainda resta?... Tanto já escorreu...
Quer ver através das nuvens. Mas o céu é todo breu.
Ainda em círculos a se perguntar onde foi que se perdeu do sol....
Inútil. tudo chove.
Chove tudo.
As velhas esperanças, a feliz lembrança de criança, todas as agradáveis recordações...
Sem volta... bueiro abaixo...

* Finalmente uma parceria com meu amigo Paulo. :)

Eureka

Por fim, encontraste o fio - pensei.
Aquele que - inútil - andavas procurando
e por isso mesmo não encontraste.
Tudo quanto é difuso te pertence.
Pensei apenas. Não mencionei palavra.
Terás que adivinhar...
Já que o sabias.
Assim era:
o brilho nos olhos disfarçando
o sorriso escondido nas rugas da face.
Por fim,
sabias.

Madrugada Qualquer

A noite se cala entre pingos distantes.
Um orgasmo triste interrompe.
É quase silêncio:
até a noite dorme.
Longe
cachorros latem desenfreados
acordando o bairro.
Tudo é triste quando chove
e é madrugada.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Irremediável

Fecho de novo as portas.
Você espera
perplexo
do lado de fora.
Quer que eu abra de novo
com palavras suaves
e voz receptiva.
Em troca
suas mãos estão vazias.
Você espera
aquela mesma comodidade de sempre:
aquela em que sabendo exatamente
que estamos errados
cometemos o erro.
Com a desculpa simples
e inaceitável
de que não conhecíamos o que era certo.

terça-feira, outubro 17, 2006

Sozinho

Ele se foi.
E eu caminho de novo num túnel escuro.
É solitário aqui
como qualquer caminho.
Caminho.
Mesmo só se aprende.
Essa é a luta:
de que não seja em vão.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Destino

Mandou uma carta
com declarações de amor:
extraviou.
Enviou um email
com bytes carinhosos:
foi rotulado como spam.
Deixou um scrap no Orkut
mas ele não reconheceu a foto da menina
e deletou.
Foi então que desistiu e mandou um postal.
De longe.
Muito longe...

quarta-feira, outubro 11, 2006

Semelhantes

Anda na rua como quem procura.
Todos parecem rumar
na mesma direção:
todos têm pressa.
Mas, quando fala,
ninguém ouve.
Cada um confuso
com suas próprias indecisões.
Aquilo de ouvir
já não funciona.
Cada um carrega atrás de si
seu próprio universo.
Quer falar
mas ninguém ouve.
Quer ouvir
mas ninguém parece ser verdadeiro.
Quer fazer parte
mas fica à parte.
Igual
na diferença
de seus semelhantes.

sábado, outubro 07, 2006

À Espera

IV

Duas semanas depois eu a espero num café. Está vinte minutos atrasada quando entra, beija-me levemente e senta ao meu lado. Traz consigo um cheiro adocicado. Sorri. Depois faz o pedido ao garçom - tem pressa. Assim como nossos outros encontros e nossas conversas ao telefone, tudo parece rápido. Menos a espera. Sinto-me sempre aguardando. Esperando. Algo que nem sei ao certo o que pode ser. Pode ser? O que é isso que espero que ela me traga? Que expectativa é esta que não me dou conta. Divago enquanto ela bebe um gole de água mineral. 30 graus no Rio, tempo abafado pedindo chuva. Mas não chove. Ela bebe e me olha curiosa. Não posso explicar aquilo que não entendo.
Me calo. De repente percebo que aquele momento que esperei com tanto entusiasmo se transforma num momento de tensão. Sem tréguas, sem alegrias... Apenas tensão. Procuro espantar aquele pensamento enquanto faço também meu pedido ao garçom.
Comemos e conversamos sobre coisas leves - como anda o trabalho, o tempo, a tv, os últimos filmes no cinema. Falamos sobre nada. Ela me olha e depois desvia o olhar para o salão como se procurasse alguém. Sem notar, acompanho o olhar dela como se pudesse ver alguém se aproximar em sua direção. Ninguém se aproxima.
Quando termina, se despede explicando que o dia está complicado, quase desmarcou o almoço. Levanta e vai embora deixando sua parte da conta paga. Ela também quer algo de mim que eu desconheço.

O Corpo Resiste

Queria de novo
a lembrança dos instantes felizes
os dias coloridos e repletos
os amigos por perto.
Queria de novo
o sorriso simples de estar vivo
de sentir a vida percorrendo os caminhos
o sentido de se sentir a caminho.
Queria simplesmente
que aquele corpo velho comportasse
a alegria de menino...

sábado, setembro 30, 2006

Bolinho *

Quando teu olhinho brilha
menina
ilumina.
Ainda não és capaz de entender...
Mesmo assim
parabéns!

* Primeiro aniversário da Malu. Beijinhos da dinda!

Desenho de Deus

Essa música não faz muito meu gênero... Porém, quando ouvi, achei a letra uma gracinha e dias atrás eu pensei que seria legal publicá-la aqui porque me lembrei que tenho alguns queridos visitantes de Portugal e seria legal mostrar pra eles algumas coisas que rolam por aqui...
Um beijinho pra todos os (poucos mas queridos) visitantes do Palavras e curtam com carinho essa letra:

Desenho de Deus
(Armandinho)

Quando Deus te desenhou Ele tava namorando

Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor

Quando Deus te desenhou Ele tava namorando

Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor

Papai do céu na hora de fazer você
Ele deve ter caprichado pra valer
Botou muita pureza no seu coração
e a sua humildade fez chamar minha atenção

tirou a sua voz do própolis do mel
e o teu sorriso lindo de algum lugar do céu
e o resto deve ser beleza exterior
mas o que têm por dentro para mim tem mais valor

Quando Deus te desenhou Ele tava namorando

Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor

Papai do céu na hora de fazer você
Ele deve ter caprichado pra valer
Botou muita pureza no seu coração
e a sua humildade fez chamar minha atenção

Da estrela mais bonita o brilho desse olhar
Diamante verdadeiro sua palavra foi buscar
e o resto deve ser beleza exterior
mas o que têm por dentro para mim tem mais valor

Quando Deus te desenhou Ele tava namorando

Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor

Combatendo a hipocrisia com a hipocrisia. Será que funciona?!

Sim... eu gosto de novela. E ao contrário do meu amigo que odeia as novelas do Manoel Carlos, eu adoro. Acho os textos relativamente mais profundos e os personagens também... Os diálogos, às vezes, parecem mais bem cuidados também. Mas... uma coisa que eu não acreditei ter visto nessa última semana foi o reencontro de um casal homossexual em que o texto consistia em: "cara, eu senti muitas saudades de você" acompanhado por uns calorosos (???) tapinhas nas costas... como dois bons e velhos... eu diria, colegas de trabalho! Céus! em que planeta um casal de namorados que não se vê há dois meses diria apenas "cara, eu senti muitas saudades de você" com tapinhas e sem beijos?!
É com hipocrisia que a gente espera combater a hipocrisia? Por que um casal homessexual não pode se beijar na TV?
Fica aqui registrada a minha indignação novelística! :)

domingo, setembro 24, 2006

Passante *

Acordo entre blocos de concreto
onde o sol não chega.
Todos os dias.
Ouço as mesmas vozes
as mesmas correntezas.
Os letreiros nos mostram pessoas que não somos.
Mas que gostaríamos de ser.
Nos vendem um sonho que não podemos pagar.
A prazo, no talão de cheques ou em 3 vezes no cartão.
Um sonho sujo
de rejeitar o que é nosso.
E o que é dos outros.
Caminho entre carros
pessoas que soltam a fumaça de seus pulmões na minha cara.
Me esbarram
me levam pro sentido contrário.
Nessa maré que nos move.
Para onde?

* Roubei o título do meu amigo Paulo... :)

domingo, setembro 17, 2006

Ponto de Interrogação

"Eu preciso é ter consciência
do que eu represento
nesse exato momento
no exato instante
na cama, na lama, na grama
em que eu tenho uma vida inteira
nas mãos"
Gonzaguinha


II

Eduardo caminha pela cidade sem a resposta de Carmem. Sabe que seria assim. Sempre soube que Carmem nada diria.
No quarto e sala do subúrbio, Carmem vigia o sono das crianças no minúsculo quartinho de empregada. Dormem com a porta aberta e têm medo de olhar a janela da cozinha que fica em frente. No escuro, figuras estranhas desenham-se na janela. Carmem observa triste as crianças no cubículo. Queria para eles um quartinho onde pudessem brincar. Queria tanto para os filhos... para si mesma. Para Antonio.
Carmem arrasta os chinelos com cuidado para não acordar as crianças. Dormiram, não terão medo. Antonio lê no quarto e ela fica na sala assistindo aos programas da noite morna de domingo.

Válvula

Quero um ponto de fuga.
Um escape qualquer que me permita ser
aquilo que penso que sou.
Ou
- não sendo -
me transforme.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Ponto de Interrogação

"Desfaz o vento
o que há por dentro
desse lugar
que ninguém mais pisou."
Nando Reis e Samuel Rosa


Eduardo mira os olhos enrugados pelos 42 anos de Carmem. Não diz nada... Apenas mira. Carmem enxerga as interrogações no olhar de Eduardo. Ele espera uma resposta?
Na poltrona, Antonio assiste TV e lê o jornal de domingo atrasado. Carmem passa um café para eles. A tarde cai e a noite vai recolhendo os vestígios do que foi um dia frio e ensolarado. O olhar de Eduardo ainda interroga.
Carmem traz o café, serve Antonio. À mesa, Eduardo se serve. Carmem se senta na cabeceira da mesa porque Antonio continua sentado na poltrona. Distante. Às vezes, ri ligeiro e comenta alguma das notícias que lê. Carmem observa triste. Antonio nada interroga. As crianças passam correndo para o quarto pois têm seus próprios programas para ver. Antonio não repara. Carmem vai à cozinha a pretexto de levar as canecas mas quer esconder uma lágrima. Carmem olha pela janela e chora. Pensa em Antonio, nas crianças, pensa em Eduardo. Não foi educada para essas respostas. Não tem respostas.
Quando finalmente volta à sala, Eduardo já se prepara para ir. Ele ainda a olha por um instante. Carmem abaixa lentamente a cabeça e Eduardo sabe que o gesto que poderia ser um sim pela metade é um não. Pega suas coisas, despede-se de Antonio e sai.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Por motivo de força. Maior?!

Pois é... O Blogger resolveu trocar pra Blogger Beta. Eu não sei quais são as diferenças e nem quero saber. Porém, dei azar e loguei justo num dia em que a migração já tinha começado... Pois bem. Lá veio ele com aquele papo de vamos migrar. Eu não queria migrar. Mas... não tinha link em lugar nenhum pra entrar no dashboard do Blogger. Vi que a tal migração tinha mais de um passo. Pensei então: vai que o link pro meu dashboard tá perdido lá por dentro? Cliquei. Erro... Claro, o site tem várias alterações no template, daí não migrou. Ótimo, finalmente apareceu o tão sonhado link pra administração do meu site.
Dias depois volto eu e eis que... nada. Não consigo entrar no site, quando me logo agora ele me redireciona pro dashboard do Blogger Beta que não tem site nenhum. Claro, meu site continua perdido no limbo do Blogger. Ok, uma semana depois instalo um outro browser na minha máquina e funciona. Volto pro Firefox, deleto toda a pasta de configurações dele (sim, porque Cookies e afins eu já havia excluído) e então... Funcionou.
É isso aí... Estamos de volta... hunf...

segunda-feira, agosto 21, 2006

Parabéns Atrasado

"(...)E quem adivinha ao menos em parte as consequências de toda profunda suspeita, os calafrios e angústias do isolamento, a que toda incondicional diferença do olhar condena quem dela sofre, compreenderá também com que frequência, para me recuperar de mim, como para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar (...). Mas o que sempre necessitei mais urgentemente, para minha cura e restauração própria, foi a crença de não ser de tal modo solitário, de não ver assim solitariamente - uma mágica intuição de semelhança e afinidade de olhar e desejo, um repousar na confiança da amizade, uma cegueira a dois sem interrogação nem suspeita, uma fruição de primeiros planos, de superfícies, do que é próximo e está perto, de tudo o que tem cor, pele e aparência (...)."

Para meu amigo Paulo, estas belas palavras de Nietzsche em "Humano, demasiado humano". Sempre ouvi dizer deste filósofo que ele era rude e contestador... É o primeiro livro que leio seriamente dele, e tenho o prazer de encontrar essas palavras logo no início. E porque as considero doces e muito humanas é que as ofereço a ti, amigo.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Bumerangue

Então
você se escondeu embaixo dos meus cabelos
e me pediu:
fica.
E porque tudo que você me pede
com essa voz de choro
solidão
paixão
amor...
tudo vira amor novinho em folha
sem rasgos
cicatrizes
desesperanças...
Porque o meu amor é maior
e sobrevive sempre,
porque você me disse fica
eu fico.
Porque você disse volta
eu volto. E te consolo
e te acarinho
com todo amor de sempre
e de nunca.
Porque te amo.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Resistente

Risco seu nome a lápis. Mas você resiste.
Sua imagem impressionada em minha retina.
Vitrine, cortina.
Sua palavra em meu ouvido.
Mudo de sentidos.
Mudo.
Nada faz sentido.
Mas você resiste.
Risca com giz desafinado
o quadro negro das certezas.
Tudo oscila. Balança. Duvida.
Desequilibra.
Mas você resiste.